segunda-feira, 16 de junho de 2025

MARIA REIS + NUNCA MATES O MANDARIM + HORSEGIRL + PARCELS + DESTROYER + SQUID + TURNSTILE + FLOATING POINTS, Primavera Sound Porto, 14 de Junho de 2025

















O peso da idade, o nosso e o do próprio festival, encarregou-se de fomentar uma desmotivação crescente que se vem acentuando desde que no parque da cidade se instalou um palco inexpressivo, enorme e bruto, como recurso, dito, atractivo. O preço incompreensível dos bilhetes e de umas supostas taxas, tratou de acrescentar-lhe, à tal desmotivação, condicionantes a roçar a proibição e, por isso, nada como ser selectivo quanto baste. O dia de sábado foi, pois, o escolhido para fazer do festival um género de "circuito vintage", período onde foi possível prescindir da avantesma e insistir em roteiros à moda antiga. 

A tarde, solarenga e ventosa, começou no palco de sempre, o Super Bock, espaço perfeito para iniciar trajectos e despertar sensações. Coube a Maria Reis, que nos últimos tempos se têm aventurado nos teclados de suporte a Panda Bear, aplicar aquela dose adequada de protector anti-indiferença, uma presença nestas andanças que desde 2015, na versão (em pousio?) Pega Monstro, já não repetíamos. Foi na guitarra desenfreada, virtude eriçada de travo indie e crueza, que as canções escolhidas se confirmaram de validade e enorme potencial, apresentadas que foram na sua forma rasgada e acelerada. Uma reinvenção daquilo que um power trio pode e deve obter, no caso, com a enorme vantagem de ser cantado em português inteligente e, cada vez mais, essencial.

 

Rodando à direita, salvo seja, a imensidão do palco principal (sim, será sempre este) sugeria um risco questionável. Aos muito portuenses Nunca Mates o Mandarim foi atribuída a façanha de animar o maior dos relvados, mas o cálculo espertalhão afigurou-se um relativo êxito, ora não fossem as canções uma fornada regional de pop inofensiva e liceal que muitos dos amigalhaços e familiares já dominavam na boa. Percebe-se a aposta, repara-se na herança Veloso/Abrunhosa/Zambujo, sem que se escondam as virtudes de um passeio pimba que a versão de "Uma Bela Portuguesa" arriscou no ginçanço. Até os asiáticos gostam, como testemunhado à nossa frente, na adesão espontânea de um parzinho balançante. Parece que o trio vai editar novo álbum, servindo a oportunidade para a estreia de alguns inéditos típicos de que "Gin na Mealhada" é exemplar de semelhança paradigmática - "ficha tripla de indie-pop-rock almeja, um dia, cruzar-se com uma letra sua grafitada numa parede da baixa do Porto.". Se ainda não aconteceu, vai acontecer, mas ninguém quer saber. Tabénhe abelha...

 

Mais sério, sem que melhor, foi a estadia sensaborona das Horsegirl em cima do estrado. Dizem-nos que o álbum que gravaram no estúdio dos Wilco em Chicago, e que contou com a supervisão de Cate Le Bon, é até de especialidade recomendada, mas a dose trazida até ao Porto pareceu-nos bastante requentada. Algo amedrontadas, distantes, física e emocionalmente, o alinhamento só a espaços coartou uma dormência de culpa própria que talvez tenha uma explicação na viagem intercontinental do próprio dia. Mesmo assim, percebeu-se alguma da capacidade naif de texturar canções destinadas a um requisito de intimidade que um parque ao ar livre não permite e que, talvez, encontre melhor reduto num qualquer recanto de um bar ou blackbox das redondezas. Se isso vier a acontecer, confirmamos, desde já, a presença!

 

Com excepção do genial Brian Wilson em 2016, sejam bem-vindos ao maior sunset da história do festival! Os australianos Parcels arriscam-se a ter em Portugal um summer stage contínuo e imbatível de, ao vivo, propagarem uma festa de dimensão irresistível. Não se enganem, contudo, que o alinhamento, as sequências, as posturas e os trejeitos estão há muito treinados e entrosados num género de setlist instrumental estudada com tanto de rigor como de sabedoria. É funk, é pop orelhudo, é disco, é a chiqueza do baixo e da guitarra a la Bernard Edwards e Nile Rodgers exponenciadas ao limite do suportável e que convida, sem esforço, ao êxtase colectivo. Juntem-lhe muitas imagens em directo captadas por um sexto elemento com vocação e função de aumentar, pelo pormenor, as expressões e os sorrisos, mas fere a legitimidade do espectador ter que levar com o rodar contínuo da enorme câmara na frente de palco. A previsível convocatória da amiga Maro talvez fosse dispensável, sendo a festa agigantada por um abençoado banho de sol e só faltará, um dia, experimentar a versão nocturna do forrobodó. 

[Não haverá disponibilidade de imagens em movimento que, apesar de captadas, não são permitidas na divulgação por rigorosos e automáticos direitos de autor. Fica a fotografia... do atropelo.] 





 







A verdadeira instituição em que se transformaram os Destroyer do senhor Dan Bejar, um estatuto conferido a uma carreira de trinta anos ao serviço do prazer, não impediu que o horário escolhido fosse aquele em que as massas têm de ir para a fila do prego ou da bifana, o que acabou por ser uma bênção - quem alinhou, e não foram poucos, sabia ao que vinha, sabia ao que ia e sabia que era imperdível. Lembramos bem do bálsamo proporcionado pela banda no mesmo palco, o melhor, há nove anos atrás na tarde de Brian Wilson e logo depois de uma planante exibição de Cass McCombs e não seria difícil adivinhar que teríamos recompensa do mesmo calibre. Não duvidamos que muitos compraram bilhete só para os ver e nenhum, certamente, se arrependeu da aposta em tempos de apresentação de mais um magnífico álbum chamado "Dan's Boogie" e onde, como quase sempre, nos perguntamos "mas como é que isto resulta tão bem?" 

A figura de Bejar é, por si só, de inenarrável descrição na atitude em palco de cabelos ao vento e mão no bolso, camisa desalinhada e pequeno microfone agarrado quase sempre de forma aninhada. Depois é a alienação das letras das novas, e excelentes, canções como "Cataract Time" ou "Bologna" ou das velhinhas e obrigatórias "Kaputt" ou "Times Square", que se entrelaçam a um fundo instrumental inconfundível em que os solos de guitarra se misturam com o esticar de um trompete, um baixo hookiano e as pancadas de uma bateria, por sinal, demasiado chapadas. O acerto acústico foi, felizmente, crescendo mesmo a tempo de "The River", incandescente, poder-se-á dizer, balada em crescendo que bate e bate até aterrar não sabemos onde! Dirão os experts "que isto é música de nicho", pois que seja, não queremos outra e o festival, se ainda tem algum mérito, é mesmo o de proporcionar alguns milagres. Os Destroyer, ali e agora, foram a prova de que eles ainda continuam a acontecer. Sobrenatural!     

 

Não sabemos quando é que os Squid irão ter direito a palco principal num festival português. Será irrelevante, desde que a banda inglesa continue a comparecer por cá anos seguidos, felizmente, todas boas oportunidades para absorver de uma energia ainda pouco contaminada pela sobre-exposição. Cada vez são mais a agarrar-se à hélice de um projecto rotor propulsado a quinteto instrumental de eficácia certificada, capaz de levantar poeira e multiplicar empurrões a mil por minuto. Um caso sério e assertivo de como o rock ou o punk, mesmo que pós-qualquer coisa, continuam vibrantes e lutadores. Indispensáveis!


No olho do furacão, mesmo fazendo figurinha de estranho, estacamos no concerto dos Turnstile à procura de explicações para a enchente, os coros colectivos e o mosh. As respostas, às tantas científicas, talvez nãos sejam de dificuldade suprema, já que o estilo hardcore tem raízes antigas que, amiúde, crescem de forma desmesurada, mesmo que reavivado na fórmula e na onda. Percebemos, pois, que a banda americana é capaz de despachar cinco canções em dez minutos, que o faz sem falhas e cerimónias, mas já não temos filtros activos para aguentar tamanho turbilhão. Baixem o torniquete p.f.
  

Chama-se Samuel Shepherd, é um inglês de quase quarenta anos e é especialista em música electrónica nas suas variantes de produção, composição, mistura e djing. Nessa múltipla dimensão, passou a lançar discos como Floating Points a que nunca ligamos pevide, mas em 2021 foi dele o projecto de juntar o saxofonista de jazz Pharoah Sanders (1940-2022) à London Synphony Orchestra, registando em estúdio composições suas em nove movimentos a que chamou "Promises". Um monumento!

Foi, assim, em sua homenagem e também para lhe fazer uma vénia à distância, que aguentamos até às três da manhã, mesmo sabendo que do palco do recinto relvado nada se ouviria da referida obra prima. De lá, envolvido por luzes e imagens de recortado bom gosto, foi (d)isto que se serviu...

sábado, 14 de junho de 2025

PULP, HINO NORTENHO!

Como já devem ter percebido, os Pulp lançaram a semana passada pela Rough Trade um disco novo chamado "More". É o regresso aos originais ao fim de vinte e quatro anos, seguindo-se a "We Love Life" de 2001, comportando onze temas entre os quais destacamos "Sunset", que encerra o alinhamento, e conta com a ajuda do amigo Richard Hawley e também "The Hymn of The North", com piano de Chilly Gonzales, outro amigo de abraço de Jarvis Cocker. 

O referido "The Hymn of The North" foi, pela primeira vez, tocado ao vivo em Julho do ano passado e não será difícil prever que ele se transformará num dos clássicos da banda, ao jeito de um "The Trees" ou "Babies". Enorme canção, fantástica lírica, monumental orquestração! 

Pensar que há um ano atrás os Pulp passaram, cintilantes, pelo Parque da Cidade num dos melhores concertos de 2024, espectáculo integrado num festival em nítida e lamentável decadência. Espera-se, mesmo assim, que no dia de hoje ainda por lá brilhe uma qualquer estrela... nortenha!

quarta-feira, 11 de junho de 2025

BRIAN WILSON (1942-2025)















Por estes dias, há nove anos atrás, um nervosismo dos bons não nos largava. Brian Wilson visitava pela primeira, e única, vez a cidade no âmbito da edição do Primavera Sound Porto e o milagre aconteceu apesar da sua já débil condição física: clima solarengo, brisa fresca, canções cantadas por todas as gerações presentes e um alinhamento para não mais esquecer. Estava, finalmente, concretizado um sonho e uma homenagem há muito suspirada

Os The Beach Boys sempre foram desprezados pela contenda Beatles/Stones e esse desleixo permitiu-lhes engrandecer um culto, de certa maneira, mais exigente e refinado que ao longo de décadas fomos escavando e descobrindo de forma metódica. A cada compilação, a cada sessão esquecida, a cada disco novo, o génio de Brian Wilson como que transbordava numa actualidade e sagacidade surpreendentes. Ter estado naquele relvado foi a confirmação tridimensional que, afinal, a clamada eternidade só está ao alcance de alguns predestinados. Obrigado por ela e por tudo o resto, Mr. Wilson. Peace!






UAUU #744

MANSUR BROWN, DIÁRIO DE VIAGEM AO VIVO!






















A guitarra do britânico Mansur Brown voltou a fazer das suas e o respectivo registo fará parte de "Rihla" (que significa viagem em árabe), álbum com data de saída no primeiro dia de Agosto. Trata-se, segundo o próprio, do seu trabalho mais verdadeiro e honesto, inventando música livre e sem contenções, já que reúne ilimitadas influências de género ou rótulo. Uma viagem em modo de "díário de bordo" de uma vida artística já com mais de dez anos, mas, verdadeiramente, intensa. Uma primeira amostra do "trajecto" está já disponível para teste. 

Cerca de um mês antes, a 5 de Julho, Mansur será o primeiro dos artistas a subir ao coreto do jardim Basílio Teles no âmbito da edição do Matosinhos em Jazz de 2005, evento recheado de outros apelos imperdíveis (Amaro Freitas, Laura Gasparotti, Allysha Joy, etc.) a que valerá a pena comparecer... gratuitamente!

segunda-feira, 9 de junho de 2025

SLY STONE (1943-2025)













Chegamos aos Sly and the Family Stone como muitos - pela fama do disco "There's a Riot Going On" de 1971, pedrada agitadora saída da mente rodopiante de Sly Stone e que se transformou num mito do soul, do funk e até de algum psicadelismo que Prince nunca rejeitou e que Stevie Wonder compreendeu. 

Fomos reunindo de olhos fechados, ao longo dos anos, pequenas rodelas com a inscrição da banda, sabendo que, de qualquer das maneiras, num dos seus lados ou até nos dois, algo de inovador e provocador nos seria dado a ouvir. É o caso de "Time For Livin", uma das muitas canções com aquele toque... e a nossa preferência. 

Sly Stone deixou-nos no dia de hoje. As rodelas, essas, vão continuar sempre a rodar, tal como a grande parte da sua vida que está desde há meses em documentário a que vamos, um destes dias, deitar olho. Peace, Sly! 


sexta-feira, 6 de junho de 2025

FAZ HOJE (24) ANOS #101





















DAVID BYRNE, Coliseu de Lisboa, 6 de Junho de 2001
 
. Diário de Notícias, por Nuno Galopim, 8 de Junho de 2001, p. 40 
. Jornal de Notícias, 8 de Junho de 2001, p. 41


BIG THIEF, DOBRAM-SE AFINIDADES!

                               Fotografia: Genesis Báez






















Um disco-regresso dos Big Thief está apontado para Setembro via 4AD, o que é boa notícia. Sinceramente, e pela afinidade que mantemos, fomos dos que tememos que a banda iria entrar em pousio ou até em ruptura depois da saída do baixista Max Oleartchik no verão passado, uma incerteza que se foi acumulando com adiamento de concertos, reforço de álbuns e projectos a solo do restante trio e tentativas, aparentemente, abortadas de integração de novos músicos. 

Chama-se "Double Infinity", nome de uma das canções e dele já se ouve "Incomprehensible", tema assombroso que abre o disco. Foi registado em modo rápido e sem filtros durante três semanas no Power Station Studio de Nova Iorque no Inverno passado, período onde contaram com a ajuda do produtor Dom Monks, colaborador de longa data da banda. No auxílio intenso - houve dias de nove horas de prática - compareceram, entre outros, a vocalista e compositora Alena Spanger, o baterista Caleb Michel, a maravilhosa Hannah Cohen e o multifacetado Laraaji que canta em "Grandmother", um dos nove originais seleccionados para o alinhamento. 

O novo álbum, o sexto, segue-se a "Dragon New Warm Mountain I Believe in You" de 2022 que teve apresentação ao vivo por cá, mas sem chegada ao Porto. Pode ser que, com a digressão "Sommersault Slide 360" a iniciar em Setembro pela América do Norte e a previsível transposição para Europa, se concretize uma visita que já faz falta... Seria incompreensível o contrário.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

DUETOS IMPROVÁVEIS #305

JAMES YORKSTON & NINA PERSSON 
A Moment Longer (Yorkston) 
Álbum "Songs for Nina and Johanna", Domino Record Co.
Inglaterra, Agosto de 2025

MOHAMMAD SYFKHAN + FIDJU KITXORA + KHANA BIERBOOD + USE KNIFE, Serralves em Festa, Porto, 1 de Junho de 2025

O curdo Mohammad Syfkhan toca bouzouki, instrumento popular no médio oriente de onde é originário. Não foi difícil agitar um início de tarde soalheiro com a sua alegria e festa, juntando à execução primorosa das cordas um parceiro, residente em Portugal, para o acompanhar na percussão, mas também uma base pré-gravada. Foi sempre de forma atabalhoada e quase impetuosa que, logo depois de uma curta introdução de acordes a cada tema, da máquina saíram os beats e tablas a compasso para engrossar aquele ritmo sedutor do oriente. Simpático, convidou todos à dança a que uns responderam de imediato, embora outros se tenham quedado pelo refestelo da relva. Todos, seja como for, lhe bateram muitas palmas. Irresistível!

 

O trio que se assume como Fidju Kitxora tem em Cabo Verde um laboratório vivo onde a diáspora, o colonialismo, a emigração ou o preconceito funcionam como segmentação de memória, mas, acima de tudo, de luta. O projecto comandado por André China, com base em Lisboa, serve-se da música para que as suas pesquisas se espalhem e anunciem como apelos à libertação pela assemblagem do funaná ou do semba. Esses ritmos africanos são, ainda hoje, despertadores de energias e fortes catalisadores de dança e folia que rapidamente se instalaram no antigo espaço de ténis da casa muito por culpa das travessuras do baterista e guitarrista em contínua acção. A chegada de um dançarino ao palco para uma lenta perfomance de homenagem às crianças indefesas - a todas, certamente às de Gaza, remetendo também para o nome da banda que em criolo se pode associar a "filho choroso" - haveria de resultar numa agitada e poeirenta folia colectiva. Está tudo em "Racodja", álbum do ano passado, mas o conselho é que seja ao vivo que a plenitude da façanha seja sentida. Um fulgor!

 

Sol, brisa e mais sol. Não há nada para disfarçar nos tailandeses Khana Bierbood a não ser a falta de areia e mar asiáticos que os rodeava quando começaram em 2012. De resto, é surf-rock vintage feito a rigor por personagens quase saídos do Dragonball, carregando como deve ser em todos os trejeitos e linhas desse género quase septuagenário. Baixo ondulante, teclado roufenho e muitos solos de guitarra de filtro wah-wah foram moldando as canções de letras indecifráveis, o que para o caso não teve nenhuma importância. Mais que entretido, divertido!

 

Um iraquiano e dois belgas juntaram-se sob o nome de Use Knife para engrossarem uma sonoridade de hibridez misteriosa. Um jogo sonoro oriente/ocidente que confunde géneros e que tanto pode remeter para alguma da crueza do electro como para a fragilidade da música ou canto árabes. Desse atrito resultou uma pesada camada de instrumentação que, mesmo assim, recebeu a aprovação dos muitos resistentes de uma festa diversa e inclusiva. Para o ano, espera-se, há mais!

terça-feira, 3 de junho de 2025

ECHT! + SPIRITUALIZED, Serralves em Festa, Porto, 31 de Maio de 2025

A estreia portuguesa dos ECHT! só aconteceu ao fim de quase uma década de actividade. Centrados em Bruxelas, adoptaram o nome a partir de uma expressão do dialecto brabantino da cidade, o que, em tradução livre inglesa, significa, "real thing", sendo apresentados como um género de enérgico DJ set ao vivo, fundindo jazz, hip hop eletrónico e algum psicadelismo. A versão trazida ao Porto, contudo, deu primazia ao velhinho drum'n'bass e até ao acid-house, o que foi desde logo bem recebido pela plateia já faminta de uma agitação que só costuma acontecer mais tarde na madrugada, antecipação que foi engrossando e alargando o recinto de dança. 

Pena que, na frente de palco, o protagonismo dos seguranças tenha causada algum embaraço com a colocação de grades em pleno concerto ou sobrancerias bacocas quanto a uma bandeira e kufiya palestinianos trazidos para o palco e que só o assentimento e atenção da banda conseguiu manter e promover... Indelicadezas que não impediram a consagração e os aplausos merecidos.

 

Em 2012, na edição de estreia do Primavera Sound fora de Espanha, o Porto recebeu no parque da cidade uma verdadeira e abençoada catadupa de bandas e artistas. Os Spiritualized fizeram parte desse alinhamento, agendados para o sábado de muita chuva e, nessa altura, apostamos noutros estrados, mas lembramos bem o fundo sonoro do concerto a pairar, inconsequente, entre a neblina húmida instalada. "Fica para a próxima", sem que o regresso ao norte (Paredes de Coura, 2019) tenha conseguido despertar a nossa vontade em comparecer, o que a insistência gratuita promovida por Serralves relembrou na motivação. Helas... 

Se os vinte primeiros minutos afiguravam uma torrente prometedora - "Hey Jane" e "She Kissed Me (It Felt Like a Hit)" de enfiada -, certo é que Jason Pierce e companhia resvalaram, depois, para uma sequência infindável de baladas arrastadas por solos de guitarra a que nem mesmo o excelente trio vocal de fundo conseguiu disfarçar na maçada. Talvez a excepção tenha sido o longo "Cop Shoot Cop…", tema que encerra "Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space", álbum mítico de 1997, sem que a decepção tenha desaparecido até ao derradeiro acorde. O tal fundo sonoro de 2012 mantêm-se, afinal, espiritualmente cristalizado.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

NADAH EL SHAZLY + JULES REIDY + TRÊS TRISTES TIGRES + THE HELIOCENTRICS, Serralves em Festa, Porto, 30 de Maio de 2025

Entramos na festa mesmo a tempo da primeira descoberta - a egípcia Nadah El Shazly aprontava-se para iniciar o concerto no palco tenístico já bem composto, isto é, de público sentado na bancada, expectante. Demorou um pouco o acerto da voz e da sobreposição electrónica, mas logo que o nivelamento se estabeleceu foi possível desfrutar de uma simbiose refinada de traços árabes, a que uma harpista acrescentou todo um mistério flutuante. Seria de Shazly a primeira lembrança para a tragédia de Gaza e da Palestina, uma evocação que se viria a revelar como constante ao longo do fim de semana festivo e que sugere que os próximos festivais de primavera e verão serão de luta... como se impõe!

 

Do jovem Jules Reidy não saiu uma única palavra de cortesia ou de ocasião. Também não foi preciso. A não ser um "thank you" final, o que se ouviu e imaginou em contínuo foi um sublime e fino jogo de guitarra eléctrica, primeiro, e semi-acústica, depois, camadas de subtileza adornadas por leves líricas onde a melodia quase se contrai pelo inesperado do arrojo samplado. Na escuridão das Azinheiras, o momento serviu para se destapar "Ghost/Spirit", álbum saído em Fevereiro que gravou para a Thrill Jockey Records, momento de cinematografia sonora saborosa e futurista que as fumarolas ondulantes projectaram no sombreado. O respeito, silêncio e fixação dos espectadores "agarrados" deveriam ser medalhados. Obscuro, nunca um adjectivo fez tanto sentido.

 

Os Três Tristes Tigres vão ter álbum novo ("Arca") lá para Setembro e não se pode, por isso, desperdiçar pontos em casa, o que palco enorme do Prado se afigurava como desafiante. A banda contínua contemporânea, incomodada quanto baste, remexendo em antiguidades de corte e cose reciclado e incisivo que se alinham de forma surpreendente com as novas canções. Sem tempo para acústicas, é ainda a guitarra inconfundível de Alexandre Soares a comandar a turba numa onda rock de alguma dureza, o que deve ter desiludido quem se preparava para cantar em coro velhos êxitos, não muitos. Duro, mas necessário, o apelo à indignação quanto à triste situação palestiniana... 

 

Os The Heliocentrics têm sido visita nortenha desde, salvo o erro, o saudoso Milhões de Festa (2018?) e até um desafiante filme/concerto no Curtas de Vila do Conce (2019). De ambas as vezes pecamos e não comparecemos. Seria indesculpável cair no mesmo erro e, por isso, fila da frente! 

O colectivo londrino, que vai refazendo músicos e vocalistas, têm no mentor e baterista Malcom Catto o pino rotundo de uma centrifugação de géneros, do jazz ao prog psicadélico, que logo em dezoito minutos de abertura se confirmou como notável. A enchente auditiva teve depois na irrequieta Barbora Patkova na frente de palco, um vozeirão que regulou a extensão sonora, para bem e para o mal, já que nos pareceu que é, e foi, na magistral complementaridade e crescendo dos instrumentos que o grupo atinge a melhor e mais vibrante onda. De qualquer das maneiras, muito bom!     

quinta-feira, 29 de maio de 2025

BRAD MEHLDAU, (QUASE) SÓ ELLIOTT SMITH!





















Se em 2022 o disco "Your Mother Should Know" era só quase versões ao vivo dos The Beatles ao piano, a que acrescia um "Life On Mars" de Bowie, Brad Mehldau prepara agora um regresso semelhante, mas onde a primazia é dada ao grande Elliott Smith de quem são reinterpretados dez temas. Dois deles são já audíveis - "Better Be Quiet Know" e "Tomorrow, Tomorrow", este com a colaboração de Daniel Rossen dos Grizzly Bear. 

No disco, que junta ainda Chris Thile, os baixistas Felix Moseholm e John Davis, o baterista Matt Chamberlain e uma orquestra de câmara liderada por Dan Coleman, surgem também versões de "Thirteen" dos Black Star e, surpresa, de "Sunday" de Nick Drake, artista que Mehldau considera, de certa forma, como uma espécie de padrinho visionário do próprio Smith. 

Tudo disponível pela Nonesuch Records no final de Agosto sob o título de "Ride Into the Sun", canção que Smith gravou em 2000 para o álbum "Figure 8", e onde caberão também quatro originais do pianista norte-americano inspirados pela música do malogrado artista falecido em 2003.


UAUU #743

quarta-feira, 28 de maio de 2025

JOSH ROUSE, INVERSÕES POP!




















Um disco de versões de Josh Rouse estava já alinhado desde o final de 2024, mas só no mês passado conheceu divulgação pública abrangente. A espera valeu toda a paciência - há variadas inversões e reutilizações modernas de "Streets of Your Town" (1988) dos The Go-Betweens, escolha que acaba por dar título ao álbum, de "Tinseltown In the Rain" (1984) dos amados The Blue Nile ou memórias avivadas de pérolas como "Rip It Up" (1982) dos Orange Juice. 

Juntam-se "Somebody's Baby" (1982) de Jackson Browne, "Honey Don't You Think" (1994) de Grant Lee Philips, "May"(1970) de Kevin Ayers, "My Heart Hurts" (1982) de Nick Lowe, "Catch" (1984) dos The Cure e "Only the Lonely" (1982) dos The Motels. Tchhhh! 

O gozo que isto, certamente, lhe dá é antigo e habitual num artista que sempre assumiu a pop em formato descontraído e sem fobias - teclados retro, acentuada percussão e guitarrada quando é preciso, tudo auto-produzido no estúdio caseiro de Valencia mesmo a tempo do sol, da areia e das brisas... 



BRANDEE YOUNGER, TEMPORADA LUMINOSA!





















Para Brandee Younger cada álbum é sinónimo de uma narrativa em que os altos e baixos da vida assumem protagonismo obrigatório. A harpa, de que é exímia executante como testemunhado, é um condutor espiritual, ora despertador, ora reflectivo, para as composições que ganham, cada vez mais, uma intimidade particular e cintilante. 

Esse caminho, entreaberto no anterior "Brand New Life" (2023), estreita-se em "Godabout Season" a sair em Junho, onde a busca e identificação de muitos dos significados do dia-a-dia ganharam outra dimensão, já que a execução e gravação das composições foi feita com a harpa original, mas restaurada, de Alice Coltrane (1937-2007) de que ficou fiel depositária. 

O disco conta com colaborações de, entre outros, Shabaka ("End Means"), da pianista Courtney Bryan ("Surrender") e do comediante e escritor Josh Johnson ("Discernment") e espelha uma nova faceta de professora assumida na Universidade de Nova Iorque e na New School da mesma cidade. 

Os dois pedacinhos já disponíveis têm imagens escolhidas e dirigidas pela própria.


segunda-feira, 26 de maio de 2025

AMBROSE AKINMUSIRE, Auditório de Espinho, 24 de Maio de 2025

A presença de Ambrose Akinmusire em palcos nacionais têm-se revelado frutuosa. Desde a, aparente, estreia no Guimarães Jazz de 2016, passando pelo jardim da Gulbenkian em 2019, por Coimbra ou o Seixal em 2022 e o retorno a Guimarães em 2024, a actual digressão europeia permitiu nova e exclusiva investida a norte em formato quarteto. Toda uma sorte e um privilégio que, já em Julho, se estenderá ao Funchal na variação aumentada relativa à apresentação do mais recente álbum "Honey From a Winter Stone"... 

A fortuna procura-se, é certo, sendo também certo que as plateias que Akinmusire tem encontrado e enfrentado pelo nosso território são daquelas que assumem um ecletismo importante como condição valiosa para fazer da sua música uma linguagem de composição sem igual. A noite espinhense não fugiu à regra, isto é, cresceu num vanguardismo tensional que requereu muita atenção pelas subtilezas das sonoridades que o quarteto, desde logo, rendilhou. Vinte minutos iniciais, assim, de uma assentada ofegante, com direito a solo saliente de Justin Browm, mestre da bateria que teve o condão de inebriar, como em muitos outros momentos, a fruição já de si sobrenatural. 

Restam, pois, poucas dúvidas que aquilo que alguns chamam "jazz difícil" e que necessita, garantido, de pautas e treino aplicado, é senão que uma enorme e expressiva torrente de sincopados alimentados por silêncios, pausas, sopros ou assomos energéticos, mas que o talento, ali em bruto, dos músicos aliviou numa flutuante e libertadora aptidão para tudo juntar na feição certa e (in)conveniente. Noventa minutos de puro prazer e que esvoaçaram num ápice. Bravo Ambrose!

(Dezembro 2025: video removido pelo artista)

BRIGID MAE POWER, PODEROSA!





















A britânica Brigid Mae Power é uma lutadora. Irrequieta, a artista denota espírito combativo e até, sem exagero, de sobrevivência, mantendo-se activa na obtenção de recursos e meios de exprimir a sua arte em diferentes segmentos. 

Depois de um disco de versões no início do ano, surge agora um pequeno EP de seis temas registados directamente para um gravador de cassetes de quatro pistas instalado na cozinha lá de casa. Chamou-lhe "Silver Strand Tapes", improvisações resultantes de uma insistência de dois dias, uma delas provocada por um contratempo com a fita a rodar ao contrário com Stevie Wonder a cantar... Tíulo: "Wonder Backwards"! Acrescentou ainda "I Can’t Stop Loving You", original de Daughn Gibson que não coube no referido grupo de covers

Quase em simultâneo, Power apresenta para venda uma série de pinturas finalizadas durante uma semana por Espanha e com Morricone como fundo sonoro e inspirador. Outra faceta, vistosa e... poderosa! 



domingo, 25 de maio de 2025

FAZ HOJE (23) ANOS #100





















ROBERT PLANT, Aula Magna, Lisboa, 22 de Maio de 2002, Coliseu do Porto, 25 de Maio de 2002
 
. Jornal de Notícias, fotografia de Fernando Oliveira, 27 de Maio de 2002, p.35 
. Público, por Fernando Magalhães, fotografia de Luís Branco, 24 de Maio de 2002, p. 46


sexta-feira, 23 de maio de 2025

FAZ HOJE (25) ANOS #99


















THE VANDALS + PEARL JAM, Estádio do Restelo, Lisboa, 23 de Maio de 2000
 
. Público, por Pedro Ribeiro e Rita Vaz da Silva, fotografia de Dulce Fernandes, 25 de Maio de 2000, p. 32 
. Diário de Notícias, por João Céu e Silva, fotografia de Miguel Melo, 25 de Maio de 2000, p. 42


NICK DRAKE DISTINTO!





















Demorou a termos Nick Drake na capa de uma revista, demorou a dar-lhe o merecido destaque, demorou a fazer justiça ao seu talento, demorou a ouvi-lo como deve ser. Agora, a sua fotografia aparece regularmente num qualquer escaparate de aeroporto ou de estação de comboio como que desafiando uma improbabilidade que, em vida, lhe deveria ter trazido tanta satisfação e aquele sorriso... leve. 

Uma vez mais, é a Uncut inglesa a decidir pela primazia (a terceira em onze anos!) a um músico que a, cada evocação e distinção, acaba homenageado pelos seus concidadãos, finalmente, orgulhosos de um dos seus heróis, mesmo que tardio. Warming

A publicação referente a Julho, à venda por lá a partir de hoje, eleva a atenção que a irmã Mojo tinha realizado o mês passado, tudo a propósito da caixa a sair em breve com uma montanha de pérolas ainda não escutadas gravadas aquando de "Five Leaves Left". No mesmo número aponta-se ainda o curioso relevo à rainha Sharon Jones recordada pelos seus Dapt-kings e a reportagem de um concerto de Mark Eitzel.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

PAUL WELLER, DOURADINHOS!





















Um novo e inesperado álbum de versões de Paul Weller terá edição em Julho via Parlaphone, sendo diversas e para todos os gostos as pré-encomendas já disponíveis. Trata-se de uma segunda insistência oficial nas covers depois de em 2004 ter feito sair "Studio 150", projecto de escolhas mais mainstream e fama que não esqueceu Burt Bacharach, Gil-Scott Herom, os Carpenters ou até os amigos Oasis. Desta vez a coisa pia mais refinada... 

Chama-se "Find El Dorado", agrupa quinze variações de temas obscuros de bandas e artistas como The Flying Burrito Brothers, Richie Heavens, White Plains ou Willie Griffin, mas também de clássicos dos The Kinks ("Nobody's Fool") e Bee Gees ("I Started a Joke"). O projecto, que recebeu ajudas de Noel Gallagher, Robert Plant, Amelia Coburn, Seckou Keita ou do irlandês Declan O’Rourke, é assumido como pessoal e intimista na memória que guardou dos temas, do DNA imposto à sua composição e que agora se refrescam à sua maneira. 

O primeiro single terá direito 7" de vinil e contempla "Lawdy Rolla" dos franceses The Guerrillas e "Pinball" de um tal Brian Protheroe. Douradinhos!


terça-feira, 20 de maio de 2025

KOKOROKO, CORES DE OPTIMISMO!





















O disco pequeno, só em número de canções, que os Kokoroko lançaram no final de 2024 terá sequência de maior volume já em Julho quando a Brownswood Recording lançar "Tuff Times Never Last", uma colecção de onze temas que aposta numa vibração de optimismo. Bem que é preciso. 

Quer a resiliência quer perseverança são, assim, condições para afirmar uma atitude mais positiva perante tempos conturbados, o que se adivinha em "Sweetie", primeiro avanço já de Abril e que é uma vénia e saudação ao disco transbordante dos anos oitenta que se fazia e ouvir na África ocidental, explorando a sua diversidade e pioneirismo electrónico. 

Quanto a "Closer To Me", a mais recente novidade, assegura uma continuidade sonora que emana a frescura e a maturidade de um projecto jazzístico que sugere estar agora perfeitamente desprendido de convenções e correntes. O álbum comporta ainda "Three Piece Suit", peça já incluída no referido Ep do ano passado. 

Para dar colorido a toda esta confiança foi pedida ajuda a Luci Pina, afamada ilustradora de Leeds que não poupa na tinta para lhe acrescentar um calor veraneante e citadino carregado de nostalgia e alguma inocência. A banda não desmente a intenção em prestar, desta forma, homenagem a Spike Lee e ao seu filme biográfico "Crooklyn" (1994) e também a Rick Famuyiwa e à sua comédia "The Wood" (1999).



segunda-feira, 19 de maio de 2025

NDUDUZO MAKHATHINI, Auditório de Espinho, 16 de Maio de 2025

A estreia nacional do sul-africano Nduduzo Makhathini teve no auditório de Espinho um pouso feliz e abençoado. Se o piano que lhe serviu o feitiço é de aparente estranheza para um assumido sangoma ou curandeiro, ele foi o condutor transcendente de uma musicalidade que nos habituamos a chamar jazz, mas que se torna de epíteto redutor atendendo à expressão e alcance do que se deu a ouvir - os três andamentos ou movimentos, a saber, Libations/"Libações", Water Spirits/"Espíritos da Água" e Inner Attainment/"Conquista interior", do álbum gravado para a Blue Note em 2024 foram como que exorcizados com a cumplicidade de um contrabaixista e um baterista, também eles mestres de uma cerimónia ultra-dimensional. 

A unidade do conjunto, e a indefectível qualidade na transmissão, resultou numa hipnotizante experiência onde cada pausa, cada complemento ou cada aceleração conduziram a plateia a um mundo único, ou não fosse, como explicado, cada concerto um género de ensaio onde se começa sempre de novo, esvaziando trejeitos e repetições. A filosofia, devidamente ministrada e explicada a meio da "aula", tem por base uma criação em que ancestralidade e a memória circundam uma exploração criativa que aponta a uma simples aspiração - a sua utilidade. 

Para o efeito, a composição ganha a cada passo e oportunidade uma revisão em que a improvisação aprofunda a dúvida fulcral e multiplica as respostas que o nosso mundo, ao avesso e perigoso, parece esquecer desgovernadamente. Uma impossibilidade que o próprio assumiu como forma de vida e a que junta inauditas tarefas de docência e pedagogia. 

A fórmula dedicada do trio em palco, traduzida numa pluralidade instrumental superlativa e cativante (aquele magistral cantar sibilado das notas...), induziram a viagem sonora por uma fascinante experiência de noventa minutos em que a plateia, submersa, recebeu cura e reforço energético "uNomkhubulwane", milenar nome do referido disco que evoca a filha do deus zulu uMvelikuqala e traduz o poder de trazer chuva até o interior árido de África. Bendita e benzida tamanha "chuva" de notas!

THE DIVINE COMEDY, MAIS UMA VISITA!































Como previsto, a apresentação ao vivo do novo álbum "Rainy Sunday Afternoon" dos The Divine Comedy, a sair em Setembro, chegará ao Porto no dia 9 de Março de 2026, passando na véspera, Domingo, pela aula Magna da capital. Bilhetes a partir de sexta-feira.

terça-feira, 13 de maio de 2025

THESE NEW PURITANS NO MUCHO FLOW!

















Entre as primeiras confirmações para a próxima edição do festival vimaranense Mucho Flow, com datas marcadas entre 30 de Outubro e 1 de Novembro, anunciam-se os fabulosos These New Puritans dos irmãos Barnett, prontinhos, já nessa altura, para apresentar devidamente o novo álbum "Crooked Wing" a sair no final de Maio. 

Doze anos depois, é o regresso desejado ao norte do país de uma banda "fora da caixa" e de misteriosa inquietude, sendo previsível que o concerto decorra no sábado de 1 de Novembro, atendendo a que os dias anteriores têm já cidades europeias atribuídas.

LAURA MARLING, UM SONHO DE NOVENTA MINUTOS!

Apesar de toda a sua magnificência, Laura Marling nunca actuou ao vivo em Portugal. Certo é, também, que a sua disponibilidade para concertos ao vivo começa a rarear ainda mais, para o que contribui o facto de ser uma orgulhosa mãe dedicada. Será, por isso, difícil que uma qualquer aparição milagrosa aconteça por perto. 

Contudo e a partir de hoje, é visionável na íntegra um espectáculo recente, concretamente, uma das duas noites (dia 6) no Albert Hall de Manchester de Março passado, datas esgotadas onde se fez acompanhar por um quarteto de cordas, um grupo coral ("Deep Throat Choir") e um baixista, dos poucos concertos que a artista de Reading deverá concederá no corrente ano. 

As imagens, dirigidas e editadas pela própria num género de primeiro plano de único enquadramento, contemplam vinte canções de um songbook já memorável e que incidiu, na oportunidade, no excelente "Patterns in Repeat" (2024). Não substitui, como é óbvio, uma suspirada e sonhada experiência a três dimensões, mas é, ainda assim, uma assinalável dádiva de noventa minutos!

segunda-feira, 12 de maio de 2025

BETH GIBBONS DE SECRETÁRIA!

DUETO QUE NÃO É DUETO, É MILAGRE!

Não é bem um dueto, não é bem uma colaboração, é um milagre! 
No programa da semana passada de um tal John Mulaney de uma tal plataforma Netflix e em dois pedacinhos como que agarrados, Dan Bejar aka Destroyer e Jessica Pratt espalham magia em quatro minutos de beleza. So good!

sábado, 10 de maio de 2025

MAKAYA MCCRAVEN NO FIMESPINHO!















A 51ª edição do FIME-Festival Internacional de Música de Espinho, que decorre de 8 de Junho a 19 de Julho, contará com espectáculos de, entre outros, Al Di Meola, Angélique Kidjo com a Orquestra Clássica de Espinho, Joshua Redman também com a Orquestra de Jazz de Espinho, Martin Frost, Amandine Beyer, Leticia Moreno, Lea Desandre e Thomas Dunford, Dave Holland e Chris Potter, Pedro Burmester trio e, eh lá, Makaya McCraven

O concerto do baterista e produtor norte-americano está marcado para dia 11 de Julho, sexta-feira, no Auditório de Espinho e contará com Marquis Hill no trompete, Junius Paul no baixo e Matt Gold na guitarra, formação muito semelhante à que compareceu na Casa da Música em Novembro de 2023

A oportunidade deverá contemplar uma insistência no recente relançamento de "In The Moment (IA11 Edition)", disco de estreia na International Anthem Recording em 2015 que colava pedaços de improviso ao vivo registados pelo produtor da editora Dave Vettraino ao longo de doze meses e de quase trinta espectáculos, o que resultou numa selecção de dezanove peças. A nova edição comemorativa dos onze anos da casa acrescentou-lhe mais quatro e umas tantas fotografias e anotações.

Bilhetes a voar
(Só é pena ser no mesmo dia e hora de Bill Callahan na CDM... damn!)

UAUU #742

3X20 MAIO

sexta-feira, 9 de maio de 2025

FAZ HOJE (29) ANOS #98





















THE FIRE + THE JESUS & MARY CHAIN, Noites da Queima, Jardins do Palácio de Cristal, Porto, 9 de Maio de 1996
 
. Jornal de Notícias, por Cristiano Pereira, 11 de Maio de 1996, p.?

terça-feira, 6 de maio de 2025

TIM BERNARDES, COMPACTO DE MARAVILHAS!

















Teve início no dia de hoje a pré-venda de um raro single de vinil, compacto no Brasil, de Tim Bernardes pela Coala Records, casa editora pendurada no sucesso do festival com o mesmo nome e que terá uma segunda edição portuguesa já no final do mês em Cascais. 

A apetecível rodela reúne as canções "Prudência" e "Praga" e foram gravadas por outras vozes da música brasileira, regressando agora ao autor original em versões de crueza emocional entre o rock e o samba-canção. O dramatismo das composições tem espelho na capa e videos do single, inspiração assumida no ambiente que emanava de "Ensaio (MPB Especial)", lendário programa televisivo de final da década de sessenta e anos seguintes caracterizado pelos diálogos intimistas, a luz ténue e a filmagem ampliada no rosto do artista, então, entrevistado. 

Assim, a canção "Prudência" foi propositadamente composta por Tim para Maria Bethânia incluir no seu disco "Noturno" (2021), sendo depois transformada num género de bolero de assinalável êxito ao vivo. 


 

Quanto a "Praga" e respondendo a um convite para escrever a letra em parceria com o lendário Erasmo Carlos (1941-2022), o tema seria registado por Alaíde Costa no disco "O Que Meus Calos Dizem Sobre Mim" (2022).


MIRAMAR, TERCEIRA PORÇÃO!





















O projecto Miramar de Peixe e Frankie Chavez tem regresso marcado aos discos grandes ao longo do corrente ano, sem que seja apontada uma data de edição ou sequer uma editora. Trata-se da terceira porção mágica de um todo instrumental onde, desta vez, as guitarras e as suas derivações se misturam com outras cordas, barulhos, interferências ou memórias guardadas nos dois primeiros discos

Assim, o novo tema "I’m Leaving – Cap. II” apresenta-se como uma sequela do original "I’m Leaving” incluído no primeiro álbum do grupo de 2019, tem video de Jorge Quintela, que tinha já contribuído com memorabilia para a primeira versão imagética, e conta com protagonismo da modelo Carolina Pais. O tema recebeu ajuda do quarteto de cordas da Casa da Música com arranjos específicos do próprio Peixe e foi registado nos Miramar Sessions Studio em Miramar, where else

Os Miramar tocam no Boom Festival de Idanha-a-Nova em Julho próximo, mas outras datas ao vivo serão, certamente, divulgadas.


segunda-feira, 5 de maio de 2025

JOAN AS POLICE WOMAN, Ponto C, Penafiel, 2 de Maio de 2025

O quarto de cinco espectáculos de Joan Wasser aka Joan As Police Woman em Portugal encheu de forasteiros portuenses a plateia do novo espaço penafidelense, acentuando, cada vez mais, o deserto de concertos apetecíveis em que a Invicta se foi tornando nos últimos anos. São as alterações problemáticas, de certeza. Valham-nos as periferias! 

A solo e dando primazia a um alinhamento ao piano, Joan esteve, como é habitual, notável na posição da voz e das suas variações, um timbre muito próprio que tanto se adapta a tonalidades jazz experimentadas há três anos atrás ou a canções pop como "Tell Me". Foi, contudo, em "Lemons, Limes and Orchids" e usando um violino pré-gravado, que o serão conheceu um primeiro cume, enegrecendo ainda mais quase todo o tema título do mais recente álbum até ao momento em que só o piano-voz final espaireceu as trevas. 

Antes, ao contrário, o drum beat que decidiu juntar a "Safe to Say" ecoou algo deslocado e um tanto exagerado, mas logo à frente seria com um "Oh Joan", a escorregar na perfeição para uma inesperada cover de Bob Marley ("Guiltiness"), que o concerto alcançou outro topo de um nivelamento crescente. Joan voltaria depois à guitarra para, antes do encore, praticar um género de descompressão que a união umbilical ao piano provoca e fermenta e, que noutras ocasiões, teve na tagarelice com os, ali inexistentes, parceiros de palco uma distensão de informalidade. Os relaxantes escolhidos, entre agradecimentos e elogios de ocasião, foram "I Was Everyone" e o incontornável "The Magic". 

Voltaria, entre aplausos, para "The Ride", canção de marca própria com quase vinte anos, período de tempo em que a aura desta artista não há maneira de se desfazer, mesmo que, desde sempre, seja em alguma amargura que ela se ilumina. Se essa luz contínua nos leva a questionar qual será a próxima reinvenção, ela também nos permite perceber que a sua radiação será sempre inspiradora. Concertos como este dão-nos, sem dúvida, essa garantia.    

sábado, 3 de maio de 2025

REAL ESTATE, À CONFIANÇA!





















Já por aqui atestamos a segurança do investimento nos Real Estate. Há muito que lhe confiamos, de olhos fechados, uma tradição americana indie de imediato reconhecimento que só é pena não ter sofrido mais testes ao vivo. 

Chegou agora a hora de reunir uma dúzia de raridades registadas ao longo de mais uma década para a editora Domino Records, incluindo versões antigas (2011) de "Barely Legal" dos The Strokes ou "Paper Dolls" dos The Nerve e as mais recentes "Days" (2021) dos Television e "Daniel" de Elton John, a propósito do álbum do ano passado com o mesmo nome

A compilação recebeu um "muito Sinatra" título de "The Wee Small Hours: B-Sides and Other Detritus 2011-2025" e agrega também os cada vez mais raros lados B de singles ("Blue Lebaron" ou "Pink Sky"), inéditos ("Two Part") ou obscuridades aplicadas em flexi-disc ("In My Car"). Tudo não dispensável... à confiança!