terça-feira, 20 de agosto de 2024

BRANKO + NOURISHED BY TIME + NOUVELLE VAGUE + ALLAH-LAS + CAT POWER + BENJAMIM + GIRL IN RED + BEACH FOSSILS + IDLES, Festival Paredes de Coura, 16 de Agosto de 2024

O dia escolhido para a picagem de ponto em Paredes de Coura adivinhava-se como uma maratona árdua. Não estivemos presentes na partida (17h30) nem, como seria previsível, no término (4h30 da madrugada!) mas a chegada fez-se ao som já agitado do tema/hino dos Conferência do Inferno e o melhor seria, então, entrar na corrida nos lugares da frente ao lado dos que já estavam mais que prontos para a festa. 

O anfitrião foi João Barbosa aka Branko, dj e produtor habituado a horários mais nocturnos, mas já sabemos que durante quatro dias os ponteiros do relógio são para os residentes um detalhe desprezível. Bailes e balanços não têm horas marcadas, mesmo que a presença de um guitarrista e uma teclista em cima do palco se tenha afigurado de resultado imperceptível, e como a máquina estava ligada e a sincronização com os videos dos vocalistas activa e rigorosa, não foi preciso muito para o terreiro fronteiro se inverter num saboroso e eficaz sunset dançável ainda a cheirar a gel de banho...

 

Tem doze anos a passagem mítica de Willis Earl Beal por Coura e foi desse momento que nos lembramos quando Marcus Brown aka Nourished By Time, também sozinho, entrou no palco secundário. Envergando uma t-shirt dos The Stooges, à base pré-gravada das canções sobrepôs-se uma voz de feição soul, forte, de recriação nos sintetizadores anos oitenta e nalgum r&b que uma postura irrequieta estimulou ao movimento. Há por aqui muito nervo e coragem, uma modernidade e reinvenção de estilos que a música agradece mas nem sempre reconhece. No caso, sendo já grande na figura, não será difícil adivinhar que também o será como artista.

 

Os franceses Nouvelle Vague andam por aí a rondar há já mais de vinte anos. Até lhe achamos piada quando emergiram com as versões de hits dos anos oitenta e quando alegravam plateias sedentas de um revival bem feito e cool, mas a novidade foi-se perdendo e diluindo numa indiferença confrangedora. É estranho, ou talvez não, vê-los em Coura num final de tarde a fazer o mesmo de sempre, agora uma onda dispensável ainda que, evidentemente, entretida. Se este é um dito e propagado festival de tendências, esta é mesmo a que sinaliza a mais perigosa delas todas - a banalidade!

 

Nove anos depois, os Allah-Las regressaram onde foram felizes mesmo que o estrado e o anfiteatro tenham encolhido na dimensão. Nada que tenha motivado queixas da banda californiana, logo agora que a madureza do conjunto está num ponto de pérola rock que os discos têm confirmado - "Zuma 85", o último deles, é feito de uma reinvenção amena que se refresca a cada audição e que ao vivo ganhou corpo de asas avantajadas. Uma excelente primeira parte, não programada, do que se haveria de seguir.

 

Ter Cat Power a recriar Dylan num festival nacional só ali, nas margens do Tabuão, fazia sentido. Pena que parte da plateia não tenha ouvido a sério o disco excelente e corajoso que Chan Marshall lançou este ano, onde recria o concerto lendário de 1966 no Royal Albert Hall londrino, para não se pôr a assobiar sem sentido quando o que se pedia era apoio. Certo que o set acústico, reduzido a quatro temas, foi armadilhado pela própria em constantes apelos às mesas de som entre saídas de palco, mas, ainda assim, aquele "4th Time Around" foi/é mesmo de outro mundo. Quando o resto da banda, e que banda, entrou para o set eléctrico, também ele naturalmente encurtado, o concerto elevou-se, como por magia, a uma dimensão intangível de uma soberba instrumentalidade e ainda maior vozeirão de que "Ballad of a Thin Man" se mostrou monumental. Uma dádiva, talvez, irrepetível e, certamente, inesquecível para uma imensa turba que não comprou bilhete só para os Idles. How does it feel?

 

A tenda não chegou para todos os que não dispensaram acolher Benjamim e companhia para o que adivinhava ser uma festarola. Embalados pela multidão, pelos muitos coros colectivos e pela boa onda latente, os músicos em cima do palco não disfarçaram a satisfação perante a recepção estrondosa e que teve direito a comparência de Samuel Úria para ajudar no seu "Os raros", raridade, afinal, não tão rara assim. Um exemplo apropriado de boa e fina pop portuguesa, na hora o no sítio certos e que a todos nos deve orgulhar no namoro. Aí Benjamim!

 

A menina Marie Ulven Ringheim, ou seja, Girl in Red, é norueguesa mas os trejeitos são todos, sem excepção, aqueles de vedeta americana das redes sociais e dos digitalismos. Dizem que isto é indie-pop, que isto é dream-pop, mas isto é só mesmo chatice-pop de irritação crescente e sofrível, um incómodo que a menina acicatou na desistência - em vinte minutos fez questão de frisar duas vezes, sem razão aparente, a sua orientação sexual... Fomos ganhar vez para uma ida à praia.

 

Não fomos os únicos. A estreia dos Beach Fossils em Portugal (?) tinha já muitos em pré-marcação de espaço, o que nos surpreendeu e muito! Estacamos na parte central, mas logo ao fim do segundo tema percebemos que a escolha colidia com uma carreira de tiro de um inesperado crowd surf e de uma divertida concentração de fãs espanhóis e não só mais que prontos para a contenda, ou seja, para a moshada. Letras repetidas e antecipadas em coro foram, assim, uma constante de um concerto que nos engoliu, entre empurrões e encostos, pela satisfação, pela energia e, afinal, por uma espontaneidade a que a banda de Dustin Payseur chamou e saboreou como um inesperado figo. Ora aqui está uma primeira semente de partilha que, ou nos enganámos, irá dar frutos consecutivos!

 

O fenómeno Idles, que prevíamos caótico em 2018, não demorou a avolumar-se e ele aí está, grosso na atitude, perverso na mensagem, mas, caramba, imbatível na força e na corrente. Há razões mais que evidentes para o sucesso, já que uma reinvenção do punk, não sendo fácil, requer talento e muita, mas mesmo, muita luta insistente de que Joe Talbot é símbolo agitador e propagador nato, um pirómano nocturno que multiplicou correrias e agitações anárquicas de uma plateia sempre irrequieta e, ainda assim, respeitadora. Já chegamos a uma idade em que ver tamanha comunhão do cimo de uma colina é simples motivo para uma alegria inocente e fé num rock que tantas vezes já quiseram enterrar, mas que tantas vezes, as que forem eternamente necessárias, irá sempre renascer.    

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

RYUICHI SAKAMOTO, MAGNÍFICO ADEUS!













Como seria previsível, da excelência do filme "Opus", que documenta um abnegado esforço de Ryuichi Sakamoto, iria florir uma banda sonora que se impunha obrigatória e, ao mesmo tempo, magnífica. 

Saído a semana passado na Milan Records, há agora um disco eterno com as vinte peças escolhidas de uma carreira para um último adeus ao piano, colecção impressionante de resiliência e talento de que estes dois pedaços, que aqui deixamos, são só uma réstia imensa de tocante perfeição! 


quarta-feira, 14 de agosto de 2024

MARGO GURYAN, DISCO TRIBUTO!















Talvez o nome da norte-americana Margo Guryan (1937-2021) cause estranheza e justificado desconhecimento, mas o álbum "Take A Picture" de 1968, o único gravado em vida, é, ainda hoje, referência de uma carreira que se estendeu à produção de outros artistas, à escrita ou ao ensino do piano. Com a sua morte em 2021, depois de se ter acentuado na última década uma redescoberta das suas canções e composições, ficou prometido um disco de tributo que a editora Sub-Pop agendou para o último mês de Julho mas de que, até agora, são só conhecidas duas versões. 

Em "Like Someone I Know: A Celebration Of Margo Guryan" juntam-se uma série de artistas e admiradores para reinterpretar a totalidade dos onze temas do referido "Take a Picture", destacando-se os nomes de Bedouine com Sylvie ("Can You Tell"), Frankie Cosmos and Good Morning ("Take a Picture"), Empress Of ("Someone I Know") ou os canadianos TOPS ("Sunday Morning") mas também, entre os mais conhecidos, Kate Bollinger e Margo Price, que realiza uma versão extra de "California Shake". 

Parte dos lucros obtidos serão doados a instituições não lucrativas associadas à prevenção de saúde infantil, estando prometido o lançamento definitivo para 8 de Novembro, data que marca o terceiro aniversário da sua partida. O original "Take A Picture" será, entretanto, reeditado no final do corrente mês. 


THE PAINS OF BEING PURE AT HEART, AO VIVO!





















A estreia dos The Pains of Being At Heart com o álbum homónimo fará quinze anos em 2025 e há já digressão comemorativa pela Península Ibérica. A ronda terá dez concertos por Espanha que se estendem do final de Fevereiro até ao início de Março. Contudo, o tiro de partida da gira tem data portuense agendada para o M.Ou.Co. a 19 de Fevereiro, espaço onde Kip Berman, o líder e vocalista da banda, esteve para comparecer como seu projecto The Natvral em Maio de 2021, mas que uma série de mal entendidos o levou a tocar só para uns sortudos na loja Mercado 48

Trata-se, assim, de um regresso a uma cidade que sempre recebeu os TPOBPAH de forma acolhedora, o que se prevê se irá repetir. A banda, reunida para o efeito com a formação inicial, promete não desiludir. Fica já o pedido: não se esqueçam de "Say No To Love" de 2010, que apesar de não fazer parte da estreia em LP, é uma das suas melhores canções e singles... 


terça-feira, 13 de agosto de 2024

JIM WHITE E MARISA ANDERSON AO LARGO!


A nona edição do Jazz ao Largo - Festival de Jazz e Música Improvisada de Barcelos terá uma versão ao ar livre em Setembro, estando já definida a respectiva programação e ocupação. Todos os concertos serão de acesso gratuito.

Entre tantas coisas boas, destacamos, como não, a matinée marcada para o claustro da Câmara Municipal de Barcelos no dia 14 de Setembro, sábado pelas 17h00, onde o magos da bateria e guitarra Jim White e Marisa Anderson irão apresentar "Swallowrail", o segundo álbum colaborativo editado em Maio pela Thrill Jockey e que sucede a "The Quickening" de 2020.  

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

JESSICA PRATT, BELEZA!





















Quando por aqui apresentamos o novo e magistral álbum "Here In The Pitch" de Jessica Pratt escrevemos que iríamos ficar à espera de um milagre, isto é, um concerto por perto. Esperamos até hoje por ele, embora sabendo que desde o mês passado estava já agendado um regresso a Lisboa no âmbito da segunda edição do Festival Vale Perdido que ocupa vários palcos e salas da capital no Outono. 

Nada! Sem desdobramento a norte, o festival é, pois, o evento exclusivo para acolher, a 14 de Novembro no B.Leza, uma preciosa artista e as maravilhas que ela (con)têm. Qualquer esforço e sacrifício para lá chegar e ouvir (d)isto, terão bênção garantida... Beleza!    

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

FATHER JOHN MISTY, DISCO MAXI-SINGLE!

Faltava a Father John Misty uma compilação de êxitos da sua carreira convertida em cinco álbuns desde 2012. Não parecem muitos mas há por lá muito onde escolher e, por isso, decidiu-se por dezasseis canções óbvias incluídas em "Greatish Hits: I Followed My Dreams and My Dreams Said to Crawl" a que se junta, a terminar, um inédito surpreendente que Josh Tillman promete também irá fazer parte de um novo álbum de originais a editar antes do final do ano. 

São oito minutos de puro deleite e gozo disco de título “I Guess Time Just Makes Fools of Us All” e que tem tudo para se converter num arrebatador e aditivo maxi-single de verão! 

PUBLIC SERVICE BROADCASTING, VOAR ALTO!





















"Informing, educating and entertaining since 2009".
 
É esta a divisa que os britânicos Public Service Broadcasting afixam, não por acaso, no perfil oficial do seu facebook. Cada álbum, cada concerto, cada canção, cada video, contêm uma lição de bom gosto e sobriedade onde a história inglesa e os seus excelentes arquivos e documentos, são aproveitados pela banda para comporem, pela pesquisa e selecção, discos conceptuais como o último inspirado por um plano de arquitectura para Berlim ou inesquecíveis perfomances como a de 2023 com a BBC British Symphony Orchestra

Uma nova viagem no tempo e na música se aproxima - "The Last Flight" é o nome de um álbum gravado no Jacamar Studio de Londres em Fevereiro e Março deste ano e nele se conta a história da aviadora americana Amelia Earhart e do seu fatal último voo, em 1937, depois de mais de vinte mil milhas sobre os cinco continentes. O avião Electra haveria de desaparecer, misteriosamente, perto da Howland Island no Pacífico, perdendo também a vida o navegador Fred Noonan. 

O nome da aeronave deu já título ao primeiro single, mas o disco alcança ainda outras dimensões que examinam o carácter e a resiliência de Earhart, o seu fascínio pela vida e pelo momento, tudo transformado em canções polvilhadas de samples de registos de voz obtidas durante o referido voo e colaborações diversas. O tema mais recente a ser divulgado - "The South Atlantic" - conta com Kate Stables aka This Is The Kit e o disco, a sair em Outubro, têm notável versão de vinil zoetrope em pré-encomenda


sábado, 3 de agosto de 2024

CHROMEO PARA AS FÉRIAS!















O duo Chromeo lançou este ano "Adult Contemporary", uma sexta insistência longa num descomprometido e moderno estilo funk que, há muito, não dispensamos e de que gostamos, sempre que possível, arrebanhar em sete polegadas matadores (o de "Bonafied Lovin" é já um clássico). 

É por isso um sacrilégio não terem sido prensadas nenhumas rodelas pequenas de qualquer um dos três bombons de abaixo e de que "BTS" é um recheado exemplo de injustiça! Para bombar bem alto a qualquer hora e em qualquer lugar. Por isso, groove(m) umas BOAS FÉRIAS!



sexta-feira, 2 de agosto de 2024

UAUU #725

FIONN REGAN, NA MAIOR(CA)!





















Ao longo de cinco anos, o sempre impressivo Fionn Regan tratou de, aos poucos, alinhar canções que só ele sabe fazer e que, como aconselhado, deverão ser ouvidas de fio a pavio e sem interrupções num género de nova narrativa chamada "O Avalanche". 

Um primeiro capítulo, despertador, já por aqui foi folheado mas há agora um outro que desbrava uma inspiração e composição pela ilha de Maiorca - "Headphones" junta-se ao inicial "Islands" mas o conjunto sonoro de onze temas só terá disponibilidade total no primeiro dia de Novembro pela Nettwerk, tudo a tempo de uma já programada digressão pela Irlanda e Inglaterra. 

BADBADNOTGOOD, ESPIRAL DE VERÃO!





















Os três miúdos canadianos, agora não tão miúdos, BADBADNOTGOOD registaram em Fevereiro último, e numa única semana, uma série alargada de novos temas no Valentine Studios de Los Angeles com um destino definido - um álbum de jazz criativo, instrumental e certeiro com a ajuda de amigos e colaboradores habituais de palco ou sessões, a saber, o teclista Felix Fox-Pappa, o trompetista Kaelin Murphy, o percussionista Juan Carlos Medrano e o guitarrista de Tyler Lott. 

O resultado final foi rotulado de "Mid Spiral" e está dividido em três partes - "Chaos", "Order" e "Growth" – já disponibilizadas digitalmente mas que terão edição de vinil duplo em Outubro pela XL Recordings. O conjunto afigura-se de uma diversidade assinalável que perfura e preenche na perfeição dias de calor ou bruma, de nortada ou brisa de leste, passeios de fim de tarde ou regressos madrugadores a casa. Espiral+ar! 




quarta-feira, 31 de julho de 2024

AMBROSE AKINMUSIRE NO GUIMARÃES JAZZ!















A trigésima terceira edição do Guimarães Jazz anunciada no dia de hoje tem na abertura um luxoso concerto - dia 7 de Novembro, quinta-feira, o trompetista Ambrose Akinmusire regressa à cidade, oito anos depois, para apresentar o colectivo "Honey from a Winter’s Stone”, projecto que só será estreado durante o próximo mês de Agosto em Los Angeles. Ao lado do Mivos String Quartet e de um conjunto de outros instrumentistas e vocalistas, espera-se uma perfomance criativa inesperada e irrepetível. Bilhetes já à venda

Akinmusire editou no final do ano passado um excelente disco de subtil jazz clássico que, sem certezas, poderá ser eleito em algum momento para execução, mais um forte motivo para marcar presença. 

DUETOS IMPROVÁVEIS #292

THE SECRET SISTERS & RAY LAMONTAGNE 
All the Ways (Laura Rogers/Lydia Slagle) 
Álbum "Mind, Man, Medecine", New West Records,
E.U.A., Março 2024

terça-feira, 30 de julho de 2024

BILL CALLAHAN, NOVA REALIDADE!

Talvez se afigure pertinente perguntar se seria mesmo preciso um disco ao vivo de Bill Callahan. As tentativas anteriores nem sempre validaram da melhor forma a experiência a três dimensões que uma sala de concertos proporciona, havendo até casos de desastres inexplicáveis apesar de oficiais, mas uma nova insistência surge agora com o título de "Resuscitate!" via Drag City Records e é, no mínimo, um testemunho de inconformismo artístico. 

Registado em plena digressão do álbum "YTI⅃AƎЯ" em Março de 2023, numa noite em Chicago ao lado de Jim White, Matt Kinsey, Nick Mazzarella, Pascal Kerong', Nathaniel Ballinger e o duo Joshua Abrams e Lisa Alvarado dos Natural Information Society, não há por aqui docinhos instrumentais ou veludos vocais mas sim uma mutação propositada dos temas que se agigantam num desfile poderoso de virtudes e méritos que, em boa hora e um mês depois, testemunhamos em pleno e esgotado Theatro Circo bracarense. Nas palavras de Callahan, esta transfiguração como que requisitava uma posteridade obrigatória, o que o próprio criador autorizou e promoveu de forma natural numa realidade restaurada, melhor, ressuscitada1   


KELLEY STOLTZ, SOM FLORES!





















O disco regresso de Kelley Stoltz tem já um mês de gestação mas o percentil de crescimento afigura-se, como sempre, elevado. Pai tardio pela primeira vez aos cinquenta anos, encontramos Stoltz a insistir naquelas canções a roçar um psicadelismo que os anos oitenta preencheram de camadas pop irresistíveis, uma perfeição obstinada mais que testada ao longo dos dois últimos anos com a ajuda de Fred Barnes e Jason Falkner, guitarrista dos Jellyfish que surge em "Hide In A Song" e "Make Believer", dois dos doze novos temas. 

Em "La Fleur" é na mesma Stoltz que toca, praticamente, todos os instrumentos e tem inspiração lírica no raio da pandemia, na política americana (tchhhh...) e na paternidade inesperada ("About Time" é um um assumido conto sonoro dedicado à filha). Há, contudo, outras histórias como a que envolve "Reni's Car", o primeiro single que rodopia sobre uma viagem por Manchester ao volante do carro do baterista dos Stone Roses, Alan John "Reni" Wren e com video rodado, parcialmente, no local original. O disco é o décimo oitavo de uma longa carreira e segue-se a "The Stlyst", mais uma obra prima saída em 2022



quinta-feira, 25 de julho de 2024

NICK DRAKE, CELEBREMOS!

















Como anunciado, decorreu ontem o concerto promenade dedicado a Nick Drake, uma noite de celebração orquestral mas com várias surpresas e excelentes contribuições vocais em pleno Royal Albert Hall londrino. São mais de duas horas de magia, desde logo, bastante elogiadas e que se podem ouvir de fio a pavio através da gravação da BBC Sounds agora disponibilizada. Intemporal!

quarta-feira, 24 de julho de 2024

FEIST DE SECRETÁRIA!

M. WARD, PARA INICIADORES E NÃO SÓ!





















Em Setembro a Merge Records vai lançar "For Beginners: the Best of M. Ward", catorze canções retiradas dos discos que o cantor e compositor lançou na editora desde "Transfiguration of Vincent" de 2003. Entre as escolhas estão verdadeiros clássicos vintage pop como "Chinese Translation" ou "Rollercoaster" mas também versões intemporais como "Let's Dance" de Bowie a que se junta uma inédita cover acústica de "Cry", êxito dos ingleses Godley & Creme de 1985 e que tem ajuda do trio australiano Folk Bitch Trio. Tudo preparadinho para iniciadores e não só! 



FAROL #154















O irrequieto Jack White, dono da Third Man Records e da respectiva fábrica de vinis, faz o que lhe apetece e ainda bem. Desta vez decidiu oferecer literalmente um novo álbum em, claro, vinil a todos os que entrarem lojas dentro de Nashville e Londres. A rodela tem treze canções, foi chamada de "No Name" e já se tornou raridade proibitiva. Quanto à versão digital, o próprio incentiva à descarga e irradiação. Vamos a isso...

segunda-feira, 22 de julho de 2024

NORAH JONES DE SECRETÁRIA!

EGO ELLA MAY, Matosinhos em Jazz, Salão Nobre da C. M. Matosinhos, 20 de Julho de 2024

Mesmo que pouca, a chuva levou à transferência do concerto de Ego Ella May para o salão nobre da Câmara matosinhense, ali mesmo ao lado do tradicional e único coreto jazzístico. O espaço encheu-se de gente, mais próxima e concentrada de um palco improvisado e algo frio pelo marmoreado que o cercava e pela inexistência de um qualquer jogo de luz. Compreensível, mas, ainda assim, condicionante. 

A onda neo-soul e algo distante de uma jazz tradicional, tem na voz de May um calmante testado que é quase uma homenagem a outra Ella de flama eterna mas que, mesmo assim, nem sempre se mostrou primorosa no acerto. Notou-se, contudo, uma segurança e postura de simpatia natural e já assente em quase dez anos de discos e canções que espantam pela honestidade mas que estão longe de qualquer deslumbramento. Agradável, bem tocado e interpretado, o registo talvez necessite de um abanão idêntico ao que arriscou apresentar quando estreou uma nova canção de diferente mas bom caminho. Ella sabe...

sábado, 20 de julho de 2024

UAUU #724

TOUMANI DIABATÉ (1965-2024)
















A kora que Toumani Diabaté tocava não era só um instrumento. Era uma chave mestra de uma porta que se abria, estreita mas luminosa, para uma viagem pela transcendência que só a música permite e que têm em "The Mandé Variations" de 2008 uma plenitude inexplicável. Logo nesse ano, fomos ouvi-la a tanger na sala grande da Casa da Música - sozinho com a sua kora, Toumani conduziu-nos longe na magia e na vibração espiritual, um encantamento único e memorável. 

Já nos camarins, o abraço, a simpatia e o sorriso contínuo, que a fotografia acima tão perto nos transposta, como que selaram, afinal, que o maliano era mesmo deste mundo e que também era, e sempre será, para além de embaixador de uma música tradicional de longínquas gerações, um tesouro mundial que nunca perderá o brilho. Peace!

quarta-feira, 17 de julho de 2024

TYLER & WALKER, OH MY... GNRATION!

 













Dois dos melhores guitarristas da folk americana irão juntar-se em noite única e isso é imperdível - William Tyler e Ryley Walker tem aparição conjunta marcada para o dia 4 de Outubro próximo, sexta-feira, no GNRation bracarense, organização que lançou o desafio para uma partilha simultânea de canções instrumentais, cantadas ou sussurradas. Walker repete, assim, a presença no mesmo palco ocorrida em 2017. Os bilhetes já estão à venda...


JASMINE MYRA, Matosinhos em Jazz, Jardim Basílio Teles, 14 de Julho de 2024

A jovem saxofonista Jasmine Myra lançou recentemente "Rising", segundo álbum de originas na conceituada Gondwana Records, casa de Hania Rani ou dos Portico Quartet, que é um brinquinho de jazz subtil de texturas radiantes. Apresentá-lo ao vivo sugeria, pois, um risco ímplícito atendendo à produção preciosa de Matthew Halsall. 

Certo é que o super-colectivo que assomou ao coreto, sete músicos que, na maioria dos casos, tocaram e gravaram o disco, deu ao concerto uma segurança de delicadeza surpreendente, um verdadeiro luxo analógico em tempos de facilitismo digital, o que, ao ar livre e quase em plena natureza, se demonstrou abençoado e de fruição cimeira. À qualidade das peças, dos músicos e, já agora, do público, uma enorme vénia para quem fez o som e o calibrou numa tão grande superioridade e registo. Olha o nível!

terça-feira, 16 de julho de 2024

NICK DRAKE, PRO(E)MOÇÃO!





















A série de concertos promenade do Royal Albert de Londres para 2024, que começa na próxima sexta-feira, apresenta no programa deste ano uma soirée dedicada a Nick Drake denominada "An Orchestral Celebration" marcada para dia 24 de Julho, quarta-feira, pelas 19h30. 

Canções como "River Man", "Cello Song" ou "Time Has Told Me" serão interpretadas pela BBC Symphony Orchestra conduzida pelo maestro Jules Buckley ao lado de um leque de artistas convidados e onde se contam Scott Matthews, Marika Hackman e as The Unthanks. 

Prometida está a transmissão em directo pela BBC Radio 3 e a retransmissão futura via BBC Radio 2. Pena não haver indicações de nenhuma BBC TV. Isso é que era! Há mais de catorze anos foi assim...

FIELD MUSIC, VARIANTE Nº 9!





















Depois da surpresa de Maio passado e demonstrando, sempre, uma resiliência artística assinalável, os Field Music gravaram mais um disco de originais, o sucessor de "Flat White Moon" de 2020. Para "Limits of Language", o nono de originais, os manos Brewis não fizeram muitos planos, limitando-se a fazer valer o passado de algumas canções para chegarem a uma conclusão - a necessidade de um novo som e um novo alvo sonoro. 

A primeira prova, "Six Weeks, Nine Wells", talvez explique, ou não, o que se pretende, mas são notórias novas texturas de sintetizadores e variantes da guitarra que aguçam a curiosidade e que, de olhos fechados, confirmarão o disco como mais uma pedrada pop que aqui pela casa teremos muito gosto e vontade em partir e repartir.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

MOSES BOYD, Matosinhos em Jazz, Jardim Basílio Teles, 13 de Julho de 2024

Entre a fina selecção de músicos que já subiram ao coreto do Jardim Basílio Teles, faltava a comparência do baterista inglês Moses Boyd, verdadeira instituição moderna do chamado jazz de fusão ou nu-jazz. Ao seu lado, três aliados nessa tarefa sempre aventureira de ir torneando e contornando os instrumentos em peças de efeito rodopiante, cada um deles com direito a destaque próprio em vários momentos mas onde a guitarra gingona de Artie Zaitz se evidenciou sempre fascinante na toada quase funk

Foram, pois, muitos os momentos de perfeita simbiose a que o público, o sol e o arvoredo deram ainda mais colorido e sentido, uma sonoterapia de evidente vantagem terapêutica que se aconselha para todas as idades e maleitas e que se deve agradecer sem restrições. Os fortes aplausos e clamores prestados foram, por isso, todos mais que merecidos e sinceros, confirmando este Moses e respectivos parceiros como uns verdadeiros libertadores. Keep it free! 

THE CLIENTELE, VERÃO AZUL!






















A extensa safra "I Am Not There Anymore" dos The Clientele continua, um ano depois, a fazer-se ouvir aqui pela casa de forma recorrente já que a fibra pop de que é feita têm qualidade mais que suficiente para ser esticada, na suavidade e sem desgaste, a qualquer verão. 

Digressões e palcos não foram muitos desde aí, mas para assinalar o regresso aos E.U.A. para uma curta tournée, está prometida a reedição pela Merge Records de um sete polegadas só inicialmente disponível num concerto londrino de Janeiro passado e que ganha agora cor azul e disponibilidade global de quinhentas cópias. As canções incluídas são a maravilha "Claire's Not Real", o terceiro single retirado do disco, a que se junta o inédito "Still Corridor" no lado B, tema ainda sem streaming disponível. Encomendas aqui.

LAURA MARLING, MAGNÍFICA!





















A carreira de Laura Marling já leva oito álbuns em quinze anos. Qual deles o melhor, qual deles o maior, qual deles o mais importante em cada momento para sua vida de trinta e quatro anos e que a chegada da pandemia, em 2020, levou à antecipação do álbum de nome "Song For a Daughter" dedicado a uma filha há muito suspirada e imaginada. 

Nesse período e ao contrário da maioria, Marling resistiu à tentação de gravar novas canções, esperando por uma melhor oportunidade - o ano passado acabou por dar à luz uma menina, descobrindo depois as virtudes e as recompensas do embalo, da calma e dedicação à bebé, permitindo-lhe pegar na guitarra mais vezes e aperceber-se dessa bênção celestial que a natalidade aporta e transforma. 

A nova canção "Patterns", enorme na sua transcendência, é pois o anúncio perfeito, desde quarta feira passada, de um disco maturado na ternura e de título "Patterns in Repeat", obra de uma artista, ainda e sempre, brilhante, com aparição agendada para final de Outubro. Magnífica!

sábado, 13 de julho de 2024

UAUU #723

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #32





















A longa Rua D. Afonso Henriques, que sai da Areosa para Ermesinde, continua a ser uma artéria de forte actividade comercial e, ao longo da qual, os hipermercados acabaram também por se espalhar de forma assustadora. 

Recheada de uma variedade cada vez mais reduzida - cafés e pronto a vestir assumem-se como preferencias - a rua teria, certamente, algumas discotecas disfarçadas em espaços multi-vendas como era a Casa Caçador já por aqui referida, e seria também o caso da Admar, um pouco mais acima no sentido de Ermesinde, já na freguesia de Pedrouços, Maia. 

Discos, mas também televisões, cassetes, fitas gravadas (?), cinema, rádio, fotografia e hi-fi, a Admar ocupava duas esquinas muito próximas para vender isto tudo: os nºs 424 a 428, ainda hoje no edifício original, são uma padaria e café da rede Molete e, mais à frente, o nº 472 está já transformado em prédio moderno nas traseiras mas a esquina sugere ser ainda a primitiva ocupada por uma frutaria. 

Da Admar nada mais sabemos e a única coisa que nos trás à memória é o nome de um jogador do Porto dos anos oitenta com o mesmo nome... ou quase (Ademar).

                      Admar, Rua D. Afonso Henriques, 424-428 Areosa 
                Admar, Rua D. Afonso Henriques, 424-428 Areosa
                    Admar, Rua D. Afonso Henriques, 472 Areosa















sexta-feira, 12 de julho de 2024

STILL CORNERS, PARA PINTAR A MANTA!













Com passagem prévia agendada para Paredes de Coura (17 de Agosto), os Still Corners voltarão ao Minho menos de um mês depois para se assumirem como principal nome do cartaz do festival Manta do Centro Cultual Vila Flor de Guimarães. Tocam dia 13 de Setembro, sexta-feira, com primeira parte a cargo da portuguesa Malva. 

O dia seguinte, sábado, dia 14, terá também boa onda - o belga Meskerem Mees abrirá as hostilidades para, depois, a folk adocicada de Billie Marten pairar no jardim. Tudo à borla, tudo para pintar a manta...

terça-feira, 9 de julho de 2024

NOUT, Matosinhos em Jazz, Jardim Basílio Teles, 7 de Julho de 2024

Do trio francês Nout repete-se, invariavelmente, o dito que a sua música é um género de missing link entre Sun Ra e os Nirvana, o que na ausência de outra classificação é capaz de fazer sentido... O tamanho do emaranhado de géneros é tão grande que talvez o jazz seja o reduto alargado e perfeito para receber, de braços abertos, este desrespeito benigno por convenções tradicionais. 

Uma flauta, uma harpa eléctrica e uma bateria foram, por isso, o rastilho sobreposto, ora suave, ora irrompido, que se deu a ouvir como primeira experiência arriscada de fim de tarde perante uma plateia, talvez, pouco habituada a estas modernices. Nada que tenha feito mossa, já que o público mais que adulto manteve-se atento, expectante e receptivo a um reforço energético surpreendente, que, por vezes, ouvido à distância, sugeria estarmos perante uma qualquer banda masculina de death metal

É, pois, notável que seja um trio feminino que manda, com classe, para as urtigas as lições e obrigações instrumentais, fazendo rodar por muitos festivais a sua originalidade, registada para a eternidade num recente álbum ao vivo e que contempla faixas tocadas o ano passado em plena Festa do Jazz lisboeta. Por isso, dêem as boas vindas a uma flauta cantora e electrónica, uma harpa distorcida e arranhada e uma bateria metaleira que as pedaleiras juntam, milagrosamente, numa torrente selvagem que do nout faz muito. Bravo!

segunda-feira, 8 de julho de 2024

FAROL #153















Os enigmáticos mas maravilhosos Sault, colectivo britânico de mais que recomendada onda jazz e soul, lançaram no sábado passado, e de forma brusca, mais um álbum, no caso "Acts of Faith", traduzido numa única faixa de trinta e dois minutos audível no youtube mas também pronta para imaculada descarga gratuita - oupa!

sábado, 6 de julho de 2024

SCOTT MATTHEWS, Mr NOVEMBER!














O amigo inglês Scott Matthews, que nos visitou o ano passado em Arcos de Valdevez, está de regresso em Novembro para mais um punhado de convívios bem dispostos e em que as canções nunca cansam, havendo, para já, datas marcadas para o Montijo (dia 15), Vila Real de Santo António (dia 16) e Leiria (dia 17). 

Será uma pena que a digressão não chegue mais a norte onde uma série de estimados compinchas o aguardam, como sempre, com carinho e amizade. Se for preciso uma ajuda para desenrascar estadia e um local para (en)cantar, é só avisar... home & dry!

quarta-feira, 3 de julho de 2024

MERCURY REV, FANTASIEMOS!





















Talvez os Mercury Rev não tenham nunca mais alcançado a profundidade e eternidade de "Deserter's Songs", um marco sonoro lançado em 1998 e a que o amigo David Friedman deu arranjos sublimes. Talvez aos Mercury Rev também não se deva pedir que o façam mas é certo que muitos dos álbuns seguintes, mesmo sem deslustrar esse legado, se tenham sempre nivelado por uma pop aceitável e sem riscos. 

Agora, quando vislumbramos a capa de um novo disco de tonalidade aproximada nas cores e na tipografia ao referido "Deserter's Songs", fomos a correr ouvir as canções, mas de "Born Horses" de seu título, com saída pela Bella Union em Setembro, só duas estão audíveis, as primeiras em nove anos de ausência de originais. Mesmo assim, a coisa "espiritual" promete.

Registado, como é hábito, em Catskill Mountains, Nova Iorque, a sonoridade estica-se num género de psicadelismo ambiental, uma mescla assumida de negritude e claridade com muito passado e arrojado futuro a lembrar bandas sonoras de ficção científica ou de romances visionários. Fantasiemos pois...


terça-feira, 2 de julho de 2024

KEVIN MORBY E UMA ORQUESTRA PORTUGUESA!





















O regresso a Portugal, o seu país preferido, do ente-querido Kevin Morby acontece em Novembro para cinco datas com a orquestra da Escola Profissional de Música de Espinho. Promete "escavar" o seu reportório e apresentar algumas canções novas em formato inédito e desafiante, o que implicará, certamente, alguns dias de prévia estadia artística. Antes da volta portuguesa, Morby fará sete espectáculos com banda pelo centro da Europa.  

Os concertos de Novembro são os seguintes: Teatro das Figuras, Faro, quarta, 20; Culturgest, Lisboa, quinta, 21; Theatro Circo, Braga, sexta, 22; Teatro Viriato, Viseu, sábado, 23 e Auditório de Espinho a 24, domingo, pelas 18h00, local onde deu um magnífico concerto no mesmo mês de 2016. Bilhetes para Espinho aqui. Espera-se triunfo...

segunda-feira, 1 de julho de 2024

FAUSTO BORDALO DIAS (1948-2024)

















A música tradicional portuguesa perdeu no dia de hoje um dos seus expoentes máximos - Fausto Bordalo Dias representava o que de diferente e mágico o género ainda agora e sempre agrega, um misto de exotismo e poesia fantástica transformada em canções inigualáveis. Quando "Por Este Rio Acima" saiu em 1982, nos anos seguintes a nossa geração pareceu virar costas a esse património, incompreendido e rejeitado em favor do novo rock português e da invasão da música independente americana e, principalmente, inglesa. Se não fosse a insistência caseira da nossa irmã talvez os discos do Fausto ficassem esquecidos na voracidade de uma juventude, mas certo é que acabamos sempre por nos envolver nessa alquimia única das letras e das melodias. A que aqui deixamos é, pois, um dos nossos hinos secretos. Paz... e obrigado!

domingo, 30 de junho de 2024

JOAN AS POLICE WOMAN, SEXY!





















Depois do excelente "The Solution Is Restless" de 2021 que mereceu atribulada apresentação ao vivo no ano seguinte, lady Joan Wasser aka Joan As Police Woman regressa aos discos de originais já em Setembro com "Lemons, Limes And Orchids", doze temas nocturnos sobre amor e perda e um acerto de contas com a nossa desorientação colectiva. 

Nas suas palavras, o décimo longa duração foi registado à moda antiga, isto é, com a Wasser a cantar ao mesmo tempo que os músicos tocavam, banda em que alinhou Meshell Ndegeocello no baixo a uma série de músicos habituados a tocar com Alanis Morisette, St. Vincent ou Liam Gallanger. Esta primazia da voz e segundo uma amiga, tornou o álbum no mais sexy de todos! Nada como o confirmar com o primeiro single "Long For Ruin"...

sexta-feira, 28 de junho de 2024

WILCO, A ESCALDAR!












Anunciado o mês passado, só agora se torna possível ouvir temas de um novo Ep dos Wilco chamado "Hot Sun Coll Shround" saído digitalmente hoje mas que tem edição em vinil de 10" vendida em exclusivo na edição deste ano Solid Ground Festival, evento que ocupa o Museum of Contemporary Art de Mssachusetts até ao próximo Domingo numa organização da própria banda. Os compradores poderão, eles próprios, desenhar a capa do disco usando autocolantes, contidos na embalagem, pertencentes à série artística "Bad Fruit" da autoria de Kathleen Ryan. A melhor proposta, sujeita a concurso, será utilizada como capa oficial das futuras edições

Os seis temas novos, dois deles instrumentais, são, nas palavras de Jeff Tweedy, "do mais agressivo e angular" que a banda alguma vez gravou mas há baladas - "Say You Love Me" ou "Ice Cream" - destinadas a prolongar o sabor do gelado de um verão que se adivinha escaldante.



terça-feira, 25 de junho de 2024

EMILIANA TORRINI, POP FLORIDA!





















Se sobre a presença em palcos portugueses de Emiliani Torrini já lá vão quinze anos, quanto aos álbuns de originais mais de uma década também já passou sobre "Tookha" de 2013. Os hiatos foram o ano passado encurtados com "Racing the Storm" ao lado do colectivo Colorist Orchestra mas um sétimo longa duração em nome próprio saiu este mês pela Grönland alemã com o título de "Miss Flower". 

O disco teve como fonte inspiradora um acaso - aquando de uma visita à amiga inglesa Zoe enlutado pela morte da mãe, foi descoberta uma caixa de cartas da falecida Geraldine Flower, mulher que recebeu nove propostas de casamento, todas rejeitadas, e teve uma intensa correspondência com um homem de nome Reggie. Refugiada no apartamento londrino da amiga, Torrini tratou de se afundar nas pessoas, histórias e acontecimentos aí referidos ou relatados para compor dez novas canções de imediata sedução, seja pelo sotaque nórdico do seu inglês seja pelos arranjos pop-up com que compôs o ramalhete com a colaboração habitual de Simon Byrt, marido de Zoe. 

Para a capa do disco foi escolhida uma imagem antiga de Geraldine Flower sentada num café ao lado de um homem mas que foi trabalhada e editada de forma a que, no lugar do pretendente masculino, fosse colocada a própria Torrini. Um regresso florescido que, por isso, se saúda, que terá digressão europeia lá para o Outono e onde estão prometidas, a três dimensões, mais revelações de um legado misterioso e inacabado.