sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

LAST CHRISTMAS NO MERCADO 48!





















Agora que o single dos Wham! faz quarenta anos, que a loja Mercado 48 faz dez e que, tchhhh, a chafarica Campainha Eléctrica faz dezoito, está prometida animação para o próximo Domingo, 15 de Dezembro, pelas 19h00 na loja da Rua da Conceição. Motivo? 

O amigo Daniel Knox gravou uma versão do incontornável hit de George Michael em 2010 e que tem agora edição limitada em vinil quadrado transparente pronta para lançamento nessa tarde e noite. O artista fará um pequeno showcase ao piano. No mesmo single, que toca só de um lado, há uma surpresa chamada "Lost Christmas" e a capa, linda, é da autoria do Zé Carlos Moutinho. Aceitam-se encomendas online

Lá estaremos a desempoeirar rodelas pequenas, algumas delas de feição natalícia ou espirituosa, mas prometemos não chatear com a Mariah Carey! 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

UAUU #733

AMANDA WHITING, ABRACINHO DE NATAL!

Se ainda não estão em "modo Natal" fazem bem. Para, aos poucos, entrarem na onda, que tem tanto de irritante como de fofinho, podem sintonizar um conjunto de peças que harpista maravilha Amanda Whiting decidiu gravar para o álbum "A Christmas Cwtch", o segundo no mesmo ano

A estranha palavra significa abraço, mas também conforto ou segurança num dialecto galês, o que é fácil de sentir ao ouvir qualquer uma das catorze recriações de clássicos de Bill Evans, Tchaikovsky ou Vince Guaraldi. O conjunto, que devia ser obrigatório como música de fundo em qualquer loja com bom gosto, propaga-se pela magia da harpa e dos arranjos do restante trio de jazz numa fofura cozy e de capa schulziana.



terça-feira, 10 de dezembro de 2024

3X20 DEZEMBRO

PANDA BEAR, Plano B, Porto, 7 de Dezembro de 2024

O disco "Sinister Grift" que Noah Lennox aka Panda Bear prometeu para Fevereiro próximo tem digressão prévia em plena rodagem, tendo a circulação servido para encabeçar a comemoração dos dezoito anos do clube portuense. Uma sorte que, mesmo assim, não esgotou o pequeno espaço da cave... 

Com direito a banda de quatro músicos, uma fórmula bem diferente daquela em que o vimos pela primeira vez ao vivo (tchhhh, 2007!) ou ao lado de Sonic Boom com que regressou ao Porto há dois anos, a noite haveria de confirmar a plenitude de uma receita multi-sonora de profundeza desconhecida e infinita, tendo o mergulho contemplado novos e velhos temas, sem que o tempo pareça que os separe. 

A tudo se poderá chamar, simplesmente, pop, mas o patamar de psicadelismo que a rodeia é de uma fertilidade criativa de indisfarçável espanto e que só alguma pobreza da amplificação não permitiu alastrar ainda mais. A contínua acrobacia das canções, como que unidas por uma liquefacção instrumental, tanto sugere ser válida para ambientes nocturnos e madrugadores ou para fins-de tarde ao ar livre de brisa fresca, variação que caberia libertadora, imaginámos, num qualquer festival de verão apetitoso. 

Tamanha reinvenção, seja onde for, deverá anunciar-se como irresistível e excepcional ou não fosse a arca deste Noah uma das mais antigas, das presentes e das futuras tábuas da salvação da música.  

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

LUCINDA WILLIAMS, A MANIA DOS BEATLES!





















Em 1963, aos dez anos de idade e a viver a infância em Santiago do Chile, Lucinda Williams foi uma das muitas crianças fascinada com o fenómeno The Beatles. Ouvidos pregados ao rádio, posters colados na parede, recortes contínuos de notícias e fotografias dos jornais ou revistas e paixonetas por Paul McCartney ou George Harrison. Da Beetlemania, infecciosa, não mais se livrou... 

Não se estranha por isso que um disco chamado "Lucinda Williams Sings the Beatles From Abbey Road" tenha saído a semana passada, mais uma colecção, a sétima, de versões que a cantora de Nashville tem dedicado a bandas e artistas preferidos, um género de "jukebox series" iniciadas durante a pandemia e que já contemplou vénias a Bob Dylan, The Rolling Stones ou Tom Petty. Todas a funcionar como uma terapia curadora de um ataque cardíaco que nunca mais lhe permitiu tocar guitarra, mas que lhe manteve a força para continuar a compor, gravar e cantar. 

Aquando de um série de concertos em Londres, a sugestão do marido para que o registo fosse nos Abbey Road Studios, local mítico donde os The Beatles emanaram a maior parte dos hits planetários, parecia tola. Certo é que ela se tornou uma das primeiras a gravar os Fab Four na casa, na sala de estar, dos Fab Four, sendo a maior dificuldade escolher que canções eleger entre os dois centos que os de Liverpool germinaram. 

Doze era o número pré-definido e a melhor estratégia seria concentrar a seleccção no tal período inicial e de descoberta dos The Beatles, mas tornou-se irresistível e tentador estender a recriação a mais recentes fases, sendo por isso que o álbum contempla canções como "Something", "Let It Be", "While My Guitar Gently Weeps" ou "Yer Blues". Apesar de ouvidas milhares de vezes, Williams confessa a sua dificuldade em cantá-las. A classe, contudo, com que o faz é magistral e até surpreendente. Fab!



sábado, 7 de dezembro de 2024

PETER BRODERICK, UM MIMINHO!





















Tem uma semana a passagem de Peter Broderick pelo Porto e ficaram prometidos novos projectos e músicas ao fim de algum tempo envolvido com o mundo de Arthur Russell. 

Pois, não demorou nada para que surgissem novidades como é o caso do single digital "Mimi", com fotografia de capa do próprio e saído na Erased Tapes a meio da semana. A explicação, numa tradução informal, é dada pelo próprio: 

"A família pediu-me para tocar violino no funeral da minha avó Mimi. Escrevi esta peça para a querida matriarca da nossa família. Para minha grande surpresa, quando o primo John Doran ouviu isso no funeral, ficou inspirado para escrever um acompanhamento de órgão. Enquanto isso, outra grande Mimi faleceu na mesma época – a voz angelical Mimi Parker dos Low. Aprendi a música deles "Laser Beam" e a minha irmã Heather Woods Broderick teve a gentileza de cantar em harmonia. Com essas duas músicas me curvo em homenagem às grandes Mimi’s perdidas deste mundo."


sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

JAMES BLACKSHAW, DESVENDA-SE UMA MARAVILHA!





















Sendo certo que o hiato prometido em 2015 teve algumas, e boas, interrupções, James Blackshaw cumpriu no final do mês passado o regresso oficial aos discos com "Unraveling in Your Hands", mais uma maravilha da composição à guitarra de doze ou seis cordas e não só... 

São três as peças compiladas, sendo o tema título um longo sobe e desce de vinte e sete minutos pleno de arpejos sinuosos, sugerindo momentos de improvisação e de uma prévia harmonia. Na sua maneira incontornável, mais um clássico

Segue-se "Dexter", uma surpresa ambiental, já que é um orgão o instrumento principal escolhido, a que se juntam cordas de Charlotte Glasson, autora a meias da composição. 

A trilogia completa-se com "Why Keep Still", sem dúvida, a peça mais tradicional e convencional onde às seis cordas da guitarra se faz ouvir um piano a fazer lembrar o trabalho que gravou com Lubomyr Melnyk em 2013

O disco foi auto-produzido e é dedicado a John Hannon, produtor e violinista inglês falecido, repentinamente, em 2021. O desenho da capa é da autoria de Nicole M Boitos Hayhorth, habitual colaboradora de Blackshaw que também já desenhou para Michel Gira ou Neurosis.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

NICK DRAKE, FELIZ ANIMAÇÃO!



















A probabilidade de existirem imagens em movimento de Nick Drake adulto guardadas em algum arquivo ou gaveta esquecida é, ainda hoje, muito ténue. Restam especulações quanto a ser ele num registo ocasional, supostamente, de passagem por um festival ao ar livre em Inglaterra, autenticidade negada pelo seu mais recente biógrafo, Richard Morton Jack. 

O gif de acima, em que ele nos pisca o olho, é já, nos nossos dias, arqueologia digital, pois a imparável inteligência artificial tende a fazer milagres como estes três de abaixo que animam, de forma competente, fotografias clássicas do cantautor inglês. Todos, sem excepção, nos fazem sorrir...



KEATON HENSON, DESALENTO NATALÍCIO!

No seu jeito solitário e até amargurado, Keaton Henson gravou uma canção de Natal sem ser de Natal, apesar do título. Letra sombria, miserabilista e nada festiva, talvez a intenção seja alertar para os efeitos perversos da época que se aproxima, onde algum desalento pode, mesmo assim, ser revertido. Não deixa, no entanto, de ser uma grande canção, mais uma!

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

TUNNG, VINTE ANOS DE RODAGEM!













Os vinte anos do disco "This is Tunng... Mother's Daughter and Other Songs", a estreia dos londrinos Tunng, terá comemoração já em Janeiro com um novo trabalho de originais, o oitavo, saídos da intuição de Mike Lindsay, fundador da banda. 

Em "Love You All Over Again" mantêm-se a veia folk algo futurista que sempre envolveu os Tunng e de que o último álbum, mesmo em regime pandémico, era esclarecedor. É, pois, nessa fusão de géneros de receita antiga que está assente uma variedade feliz e moderna mesmo que, de propósito, se tenha reavivado a memória sonora na validade dois primeiros álbuns. Fecha-se, assim, um círculo, mantêm-se a energia rotativa. Tunng(a)!



PETER BRODERICK plays ARTHUR RUSSELL, Auditório de Serralves, Porto, 30 de Novembro de 2024

Passaram mais de seis anos sobre uma aparição de Peter Broderick por Espinho onde, surpresa, tocou a solo dois temas de Arthur Russell (1951-1992), na altura, uma recente descoberta que se traduziu em paixão eterna quando lhe foi dada a possibilidade de vasculhar e restaurar, no ano anterior, os arquivos sonoros do músico vanguardista norte-americano. No mesmo ano saiu um álbum inteiro de versões, feito com a ajuda de amigos e cúmplices, a prova inequívoca de que o envolvimento se iria esticar a outros projectos e de que é exemplar o mais recente "Give It To The Sky", onde explora com um conjunto de cordas uma épica peça minimalista. 

Um concerto inteiro com a reprodução dessas variações era a inédita proposta de museu portuense, o que levou ao seu auditório uma alargada e quase esgotada plateia imbuída de curiosidade suficiente para o teste. A prova, que estava acordada desde 2020 mas que demorou quatro anos a ser marcada em definitivo, foi superada com distinção e aprovação, ou não fossem os dotes deste multi-instrumentista de um nível e classes superiores, uma capacidade há muito comprovada em nome próprio pela destreza no piano, violino, guitarra ou em acessórios digitais seleccionados a preceito. 

Em forma robusta, Broderick teve também na voz um indispensável amparo de adaptação perfeita à variedade de estilos que Russell percorreu e imprimiu às suas canções, do folk à new wave, passando até pelo disco. Desse caldeirão de estilos e segmentos, que tanto surpreendem pela beleza ao piano da balada "You Are My Love", pela veia folk-country de "Close My Eyes" ou no mistério-pop de "Losing My Taste For The Nightlife", emergiu uma vibração contínua e sem embaraços, resultado de uma repetida prática em que Broderick as deu, milagrosamente, a ouvir.  

A partilha, que teve em Serralves uma última oportunidade de fruição completa, prolongada desde 2017 num mergulho contínuo, será, pois, motivo inspirativo mais que superlativo para, na certa, acrescentar ao seu já notável songbook mais uma série de temas e composições de que vamos ficar, com entusiasmo, à espera. E, não, não será preciso esperar durante quatro anos... 

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

DUETOS IMPROVÁVEIS #298

PARCELS & MARO 
Leaveyourlove (Parcels/Maro)
EP "Leaveyourlove", Because Music,
Inglaterra, Novembro de 2024

TV ON THE RADIO DE SECRETÁRIA!

KEVIN MORBY & ENSEMBLE DA ESCOLA PROFISSIONAL DE MÚSICA DE ESPINHO, Auditório de Espinho, 24 de Novembro de 2024

A relação de Kevin Morby com o nosso país é, manifestamente, uma benção. Desde há muito, Morby fez de Portugal fonte de inspiração e sucesso ao lado de companheiros de banda ou (quase) sozinho em palcos de Lisboa, Braga, Porto e Espinho, cidade onde há oito anos pegou fogo ao auditório da academia musical. Merecia, por isso, que fosse a Costa Verde a duplicar (Domingo e Segunda-feira) uma série de seis concertos que percorreu o país de Faro até Viseu em parceria com a Escola Profissional de Música, permitindo uma abordagem inédita e cativante às suas canções. 

A versão orquestral nunca experimentada pelo artista e, por isso, sem precedentes comparativos, demonstrou ser uma agradável e estrelar variação que só um conjunto de cordas permite engrandecer numa harmonia plural e que até se pode, primeiro, estranhar, mas que depois se embrenhou, naturalmente e saltitante, na perfeição. 

A experiência sonora teve no ensemble da escola um contributo notável, certamente, motivador e compensador para os seus jovens músicos, confirmando que isto do rock ou do erudito quando se cruzam tanto nos levam, livres e bem alto, em viagens de planador ("Drunk and on a Star" ou "Five Easy Pieces") ou carrossel ("This Is A Photograph" ou "I Have Been to the Mountain").

Morby desfiou, a solo, uma outra série de clássicos ("Sundowner", "Piss River" ou "Beautiful Strangers"), mas torna-se obrigatório nomear a versão de "Texas When You Go" de John Callahan, momento já no encore de magia inesperada, quando o tema foi (bem) interrompido, perante a gargalhada geral, por género de suspiro de menino ou menina, talvez, entediado ou a acordar de um sono... Na mouche e a que Morby não resistiu na aprovação e inevitável riso! 

Ainda haveria tempo, todavia, para uma nova canção ("Natural Disaster"?) e para a imbatível "Harlem River", como sempre, poderosa e, ali, rejuvenescida numa motricidade tão límpida e distinta que só foi pena não se ter alongado ainda mais uns bons e extraordinários minutos. Não se pode ter tudo, mas o que nos foi dado a ouvir e sentir já foi muito, delicioso e de excelência! 

terça-feira, 26 de novembro de 2024

VASHTI BUNYAN, ELA CUIDA DE NÓS!


















Em 1970 a jovem inglesa Vashti Bunyan gravou "Just Another Diamond Day", disco de estreia que se tornaria mítico, mas só a longuíssimo prazo. Classificado, então, como infantil e de "fraca voz", foi preciso esperar pelo ano 2000 para que ele fosse reeditado e redescoberto, ganhando rapidamente estatuto de culto e veneração, levando a artista a regressar à musica que tinha abandonado durante trinta anos! 

Entusiasmada, Vashti dedicou-se a compor novas canções que acabaram em "Lookaftering", um segundo e milagroso álbum recebido de braços abertos em 2005 por uma legião de jovens admiradores, e que agora se comemora com a edição de um versão expansiva que traz a inclusão de uma série de dez demos dos temas e uma versão ao vivo de um deles ("Lately") obtido num concerto de "regresso" em Los Angeles no ano seguinte. Cabe ainda no embrulho um livro com uma série de fotografias e de palavras da própria, do produtor Max Richter e de devotos fãs como Devendra Banhart e do editor Dave Howell, a que se acrescenta uma pequena colecção de pinturas de Whyn Lewis, filha de Bunyan. 

As demos foram registadas em casa no período de 2000-2005 com a ajuda de uma guitarra acústica e de uma outra eléctrica, experimentando no sintetizador uma série de instrumentos como o acordeão ou o piano. As notas que a artista fez a cada um deles e da transformação que sofreram até à versão final, onde colaboraram, orgulhosos, o já referido Banhart, Johanna Newson, Robert Kirby e músicos dos Vetiver, permitem concluir do ambiente familiar então criado, uma comunidade excepcional que envolveu o projecto de uma subtileza e preciosidade únicas. 

O lançamento previsto para Fevereiro de 2005 desta maravilha pela FatCat antecipa os oitenta anos de Vashti Bunyan que se comemoram no mês seguinte, mantendo-se o lindíssimo design de Dave Thomas, um senhor-artista que trabalhou a imagem de capa do disco e ainda do seguinte, "Heartleap", saído em 2014. 


segunda-feira, 25 de novembro de 2024

FAROL #156















Em dia de memória-vida e confirmando que a música de Nick Drake não tem fronteiras nem idade, aqui fica o caminho para uma colectânea antiga e gratuita de versões com reduto em Istambul, Turquia, que merece atenção, audição e fruição. Teşekkürler!

NICK DRAKE, GÉNIO QUE DÁ VIDA!
















Não temos por hábito nem por agrado assinalar dias funestos de morte, mas a que aconteceu há cinquenta anos no dia de hoje haveria de, involuntariamente, fazer parte de muitas vidas, da nossa vida - desaparecia Nick Drake, 26 anos de idade, um génio quase incógnito que o mundo da música demorou a conhecer, reconhecer e venerar. 

São já várias as homenagens prestadas pela imprensa, quer em inglês ou espanhol e até em português, todas elogiosas e sinceras, todas, ainda e sempre, tardias. Imaginar, por isso, o que seria Nick Drake vivo nos nossos dias é de uma angústia infindável. Bastaria, contudo, esta única canção para o perpetuar e amar. Obrigado, amigo, pela semente de vida!   

sábado, 23 de novembro de 2024

LEGO, É TÃO GIRO!

















Com o regresso da maluqueira, sem idades, da LEGO e depois de um gramofone ou de propostas incríveis para o fabrico de um Technics 1200 MK2, a marca dinamarquesa irá lançar durante o fim de semana da sexta feira negra uma versão oficial e retro de um gira-discos

Destinada a miúdos com doze ou mais anos, a novidade está fazer furor não na miudagem, mas, claro, numa certa comunidade cota de nostálgicos e apanhados desde sempre pela marca mítica de brinquedos de montar e desmontar. A coisa está a aquecer ou não estivesse o acesso de aquisição rodeado de muitas dúvidas, embora se forem uns tais de Lego Insiders e gastarem acima de 250 dólares, o gira-discos é vosso! 

Mesmo assim, não se deixem enganar pela fotografia de acima, já que o tamanho da peça parece que é mesmo minorca. Para gastar esse dinheiro, será sempre melhor comprar um mesmo a sério, daqueles que tocam discos de vinil... como este!

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

DANIEL KNOX, SOCORRO TARDIO!

Foto: Município de Setubal
















Está marcada para amanhã, dia 22 de Novembro, uma sessão de final de tarde na loja portuense Socorro que terá o amigo Daniel Knox como artista anfitrião a partir das 18h45. Uma hora depois é a vez do duo francês SuperBravo. Pormenores aqui.

MARK EITZEL, EM ABRIL CORDAS MIL!















Dez anos após a passagem por Espinho, repetida três anos depois, ambas com uma banda de apoio, o regresso de Mark Eitzel acontece já no dia 4 de Abril de 2025, sexta-feira, ao Auditório de Espinho na companhia de um octeto de cordas da respectiva Escola Profissional de Música e do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga. 

Estão também agendados espectáculos idênticos para a Culturgest de Lisboa (2 de Abril) e Theatro Circo de Braga (5 de Abril).  Eia... e a "coisa" deverá soar, maravilhosamente, como algo parecido com isto:

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

THE MAGNETIC FIELDS DE SECRETÁRIA!

SCOTT MATTHEWS, Sala do Capítulo, Museu de Leiria, 17 de Novembro de 2024

Aproveitando a comemoração dos cento e sete anos do Museu de Leiria, abriu-se a porta da Sala do Capítulo do antigo Convento de Santo Agostinho a Scott Matthews, não para uma assembleia de condomínio do extinto mosteiro, mas para um reencontro de amigos, de novos amigos ou de simples e curiosos ouvintes. O convívio, como é frequente sempre que o inglês regressa, haveria de mostra-se abundante em boa disposição e partilha de habilidades, revalidando a linhagem de um conjunto de canções singulares. 

Sem novo álbum e, aparentemente, sem novos temas, o percurso de final de tarde fez-se de um apanhado de doze das muitas pérolas que Matthews vem gravando desde 2006 e que se encontram dispersas em sete discos de originais. O tempo tratou de as fazer ramificar num tronco comum que tem na distinção da composição um caso inexplicável de subestimação a merecer estudo e que faz, continuamente, com que as canções sejam motivo de adoração para os muitos que nunca as tinham escutado. 

Em dois momentos, Matthews escolheu deixar o palco para, sem amplificação, pôr à prova esses atributos de encantador e logo em algum do seu melhor cancioneiro - "Home & Dry" e "Elusive", lado a lado com o público surpreendido, tiveram nas paredes quinhentistas um eco e um retorno de absoluta perfeição e de que talvez se acabe por obter cópia audível em (novo?) disco ao vivo. 

De Vila Real de Santo António, à Guarda ou Portalegre, passando por Arcos de Valdevez, Ponte de Lima ou São João da Madeira, há que continuar a insistir em levar esta música e esta dádiva ao país inteiro, confirmando a fortuna que constitui a proximidade e a cumplicidade que se obtém e multiplica pela sua simples escuta e fruição. Não há, pois, desculpa para que estas visitas não sejam programadas num género de camaradagem anual, com ou sem microfones, com ou sem feeddbacks, com ou sem guitarras emprestadas, com ou sem reclamações de falhas nos alinhamentos (já agora, faltou o "Wait in The Car"). 

Cá te esperamos, Scott, de braços abertos nem que seja só para te congratular mais uma vez ou cantar os parabéns cinquentenários que se aproximam!

ADRIANNE LENKER, EXTRA EXTRA!





















Para o longo mas fascinante disco "Bright Future" de Adrianne Lenker gravaram-se outras canções que, mesmo assim, não couberam na selecção. A moda japonesa de continuar a incluir "Bonus Tracks" nas edições levou a que o tema "Once A Bunch" só aí se pudesse descobrir como acrescento feliz, embora desde 2021 fosse possível escutá-lo em muitos dos concertos da artista e via youtube desde Agosto último. Prometida ficou a sua edição em 7" de vinil que agora se confirma em exclusivo em lojas físicas, ditas independentes, a partir do dia 22 de Novembro e que acrescenta no lado B um outro inédito chamado "Who Can Say". 

A tradição que os Big Thief não esqueceram mantêm-se, assim, activa e, no nosso caso, de adesão obrigatória, o que poderá ser concretizado no Porto na loja Louie Louie, uma das que aderiu em boa hora à campanha.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

THE DELINES, SORTE E RUÍNA!





















A cada anúncio de um disco novo dos The Delines junta-se um impulso na procura de certezas se haverá, por milagre, datas portuguesas para o promover ao vivo. O de hoje, infelizmente, deixa de fora toda a península ibérica, mas valha-nos em saber que "Mr. Luck & Ms Doom" promete ser mais um caso de nostalgia moderna de trepidação repetida que se deverá manter irresistível. 

Romântico, mas não trôpego, ainda nos sobra fôlego para mais uma porção de cinematografia sonora que envolve, desta vez, a história de Mr. Luck, um criminoso fracassado e Ms. Doom, uma empregada de limpeza depressiva, parelha apaixonada mas em fuga e confronto contínuos e de que o primeiro single "Left Hook Like Frazier" é modelar. 

O registo dos temas decorreu no Bocce Studios de Vancouver, Washington, ao longo de 2023 e 2024 com a ajuda imprescindível de John Morgab Askew, um conjunto que se assume como o mais comercial que a banda gravou até à data. Ummmm... em Fevereiro tiram-se todas as dúvidas, mas há já pré-encomendas limitadas.

ANGEL OLSEN, ONDAS CÓSMICAS!














Em 2010, Angel Olsen gravou uma canção a que deu o título de "Some Things Cosmic" incluída no EP "Strange Cacti", a estreia em formato disco na editora Bathetic Records. Quando dicidiu ter a sua própria editora, mesmo que integrada na maior Jagjaguwar, foi esse o nome que escolheu para, sem pressão, dar largueza e flexibilidade a projectos de curadoria própria. 

Uma primeira dessas liberdades foi o EP de versões eighties "Aisles" saído de surpresa em 2020 e uma segunda ganhará em breve visibilidade definitiva - "Cosmic Waves Volume 1", um género de compilação imaginada por Olsen e que coloca em diálogo canções originais de artistas algo obscuros, a saber, Poppy Jean Crawford, Coffin Prick, Sarah Grace White, Camp Saint Helen e Maxim Ludwig, e versões de Olsen para algumas delas. Dia 6 de Dezembro, data de edição do disco, há concerto marcado para o In The Meantime de Los Angeles com a presença de alguns deles e de outros convidados. 

Como primeiro vaga cósmica pode ouvir-se "Glamorous" de Poppy Jean Crawford e uma versão de "The Takeover", tema de Crawford a que Olsen reduziu na acústica mas que fez crescer no mistério.


BRANDEE YOUNGER, Auditório de Espinho, 16 de Novembro de 2024

Na história do jazz, a harpa acumula uma tradição singular e, muitas vezes, exclusiva que tem nos nomes de Alice Coltrane ou Dorothy Ashby uma impressionante tradição e misticismo. Para qualquer aspirante a fazer desse instrumento antigo um recurso musical de eleição, essas são referências obrigatórias que, no feminino, ganham rapidamente um enlevo mágico e de que Amanda Whiting ou Brandee Younger são dois dos melhores exemplos contemporâneos. O serão de sábado passado não deixou dúvidas quanto ao encanto desse património e da sua sustentabilidade vindoura. 

Com a ajuda, e que ajuda, de Rashaan Carter no baixo e contrabaixo e de Allan Mednard na bateria, Younger fez do alinhamento uma homenagem a esse legado com uma versão de "Blue Nile" de Coltrane (uma recente história levou Younger a ter a primazia de manejar a harpa restaurada da artista) e uma outra de "If It's Magical" de Stevie Wonder, tema onde brilhará eternamente o arranjo que Ashby criou para a melodia e lírica de Wonder. Tocante. 

Entre originais ("Unrest" ou "Spirit U Will), flutuaram ondulantes, quer no início, a meio e no final, três peças inéditas, recentes composições de subtil acento, mas que se fortaleceram numa fusão clássica e inebriante de bateria e baixo. A aposta faz adivinhar uma delicadeza talvez mais depurada que um próximo álbum acabará por, possivelmente, confirmar e que nunca, afinal, deixou de existir disfarçada nos mais recentes discos. 

A versão de Marvin Gaye ("I Want You") com que regressou para o único encore foi só mais uma dádiva inesperada, embrulhada de elegância e vibração, de um serão reconfortante que, como alguém traduziu entre fortes aplausos, se pode resumir a um bom adágio português - o que é bom passa depressa!

(Actualização, 7 Dezembro 2024: video removido a pedido da artista) 

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

CRISTINA BRANCO NO ARTE!

Contrariamente ao pobrezinho registo no CCB já emitido pela RTP2, está agora disponível um recente (8 de Novembro) concerto de Cristina Branco no Festival de Jazz de Leverkusen, Alemanha, feito pelo indispensável Canal Arte. Realização sóbria, luminal e exemplar. Quem sabe, ...

NUBYA GARCIA NA CASA!





















Para os mais distraídos, onde nos incluímos, vimos lembrar o concerto imperdível de Nubya Garcia marcado para 9 de Fevereiro próxima na sala mais pequena da Casa da Música. O disco "Odyssey" editado este ano e por nós previsto como sublime, merece toda e qualquer confirmação presencial, certamente, majestosa e calorosa. Bilhetes!

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

DEVENDRA BANHART, DESENHOS EM SERRALVES!















Não, não é um concerto de Devendra Banhart no museu portuense, mas sim, e pela a primeira vez em Portugal, uma exposição dos seus desenhos e alguns excertos de poemas a que se chamou "Offering Cloud of Scattered Genitalia". A abertura está prevista para dia 21 de Novembro, quinta-feira, e a mostra integra o ciclo "Projectos Contemporâneos". A curadoria é de Philippe Vergne, actual director do museu. Para ver até dia 18 de Maio de 2025.  

"Devendra não só pinta ou desenha a maior parte das capas dos seus álbuns (a do álbum What We Will Be, de 2010, foi nomeada para um Grammy), como participa em projetos artísticos, como a instalação vídeo de grande escala de Doug Aitken Song 1, na fachada do Hirschhorn Museum, em Washington, D.C., e a instalação de som Refuge no Getty Museum, em Los Angeles. A fusão entre a música e as artes visuais foi apresentada em instituições tão prestigiadas quanto o MoMA em Nova Iorque, o MoCA em Los Angeles, o Hammer Museum, LACMA, e numa performance na sala Cy Twombly no Broad Museum, em Los Angeles.

Quanto a nova música, há cerca de um mês e meio foi divulgado "The Rose", tema inédito resultante das sessões de gravação do mais recente "The Flying Wig", ábum editado há cerca de um ano. A canção de sete minutos foi também produzida por Cate Le Bon, sendo inspirada em "Night Shift" (1985) dos The Commodores! A imagem do video é uma das muitas pinturas que Banhart vai realizando...

THE BEATLES NA AMÉRICA!

A 7 de Fevereiro de 1964 os The Beatles chegaram pela primeira vez a Nova Iorque, E.U.A., e o mundo parece ter começado a rodar mais depressa. Martin Scorcese como produtor, David Tedeschi como director, fizeram um novo filme chamado "The Beatles 64", que estreia no canal Disneyplus dia 29 de Novembro, e está cheio de sequências inéditas dessa "maluqueira", entrevistas recentes e os habituais melhoramentos e restauros qualitativos. Mais do mesmo, mas, ainda e sempre, atraente...



Para fanáticos invertebrados, há agora também uma pequena introdução visual ao porquê da edição dos álbuns dos The Beatles em formato mono na América, motivo para mais uma luxuosa e massiva caixa já em pré-encomenda. Mais do mesmo, mas, ainda e sempre, caro...

DURAND JONES DE SECRETÁRIA!

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

JULIA HOLTER, NOVA CANÇÃO!

Uma nova canção da inconfundível Julia Holter foi lançada no dia de ontem - “The Laugh Is in the Eyes” cresceu a partir de uma demo do mais recente disco "Something in the Room She Moves" lançado em Março passado. A instrumentação provêm dos mesmos músicos, mas a produção e arranjos couberam totalmente a Holter no seu estúdio caseiro e no 64 Sound de Los Angeles. O título é parte da letra do excelente single "Spinning", o primeiro dos temas desse disco a ser conhecido. 

Julia Holter regressa a Portugal para um concerto no Domingo, 17 de Novembro (17h00), no âmbito do Festival Para Gente Sentada que ocupa o Theatro Circo de Braga. Ainda há bilhetes.

JONATHAN WILSON E MILTON NASCIMENTO, DUPLA SOLAR!





















Aquando de uma digressão, como guitarrista, de Roger Waters pelo Brasil em 2023, o californiano Jonathan Wilson não perdeu tempo em juntar-se, na primeira oportunidade, a Milton Nascimento, visitando a sua casa de Minas Gerais e aprontando-se para se "enturmar" nas canções.

Do encontro, fez-se o registo soalheiro de três, a saber: "Tema dos Deuses" versão do original do álbum "Milagre dos Peixes" (1973); "Lília", outra versão de Nascimento em parceira com Lô Borges incluída em "Clube de Esquina" (1972); "The Valley of the Silver Noon", tema inédito composto por Wilson na ocasião. O suposto EP chama-se "Moon Over Minas", mas ainda sem indicações de uma edição física.

Trata-se da segunda colaboração de Milton Nascimento com músicos norte-americanos editada no mesmo ano, depois de em Agosto passado ter saído "Milton + esperanza", álbum de dezasseis temas ao lado de Esperanza Spalding que mistura originais e versões de canções de Nascimento ("Morro Vermelho" ou Cais", por exemplo) e onde colaboram ainda Paul Simon, Lianne La Havas, Tim Bernardes ou Carolina Shorter.



terça-feira, 12 de novembro de 2024

SQUID, BRAVA COVARDIA!





















Agora que os Black Midi decidiram separar-se, aparentemente, em definitivo, valha-nos os também ingleses Squid e a sua continua e renovada luta pela subida ao poder de um rock majestoso e inquieto. Uma nova investida, com carimbo e suporte da Warp Records, está em andamento crescente até 7 de Fevereiro de 2025, dia marcado para a edição de "Cowards", o sucessor da anterior pedrada "O Monolith" de 2023

Para iniciar o deslize na nova onda é aconselhável a audição de "Crispy Skin", tema de inspiração distópica no livro "Tender Is The Flesh" da escritora argentina Agustina Bazterrica que traça uma nova realidade moral em tempos de desespero e covardia. Até pica! 

Os Squid, que marcaram presença intensa e elogiosa no Parque da Cidade em 2022 e em Coura no ano seguinte, são das poucas bandas confirmadas para a próxima edição do festival Primavera Sound quer de Barcelona quer no sofrível alinhamento do Porto.

BIBIO, ADMIRÁVEL ALVENARIA!

Em 2017 Stephen James Wilkinson aka Bibio lançou "Phantom Brickworks", álbum de conceito ambiental que calcorreava vestígios humanos ainda presentes em muitas ruínas, edifícios ou paisagens inglesas que o músico visitou e absorveu como fonte inspiradora e renovadora. Pedaços improvisados, outros compostos, às peças de feição pianística emulsionavam-se alguns efeitos electrónicos e de guitarra de maravilhosa fusão que não ganharam, sequer, sinais de envelhecimento e que o músico usou, depois, em alguns dos seus excelentes discos

Por isso, uma sequela do projecto inicial é um passo lógico e mais que válido que terá edição pela Warp Records já na próxima semana em quatro diferentes edições e onde cabem cinquenta impressões exclusivas e limitadas. Para as dez novas sequências de "Phantom Brickworks II" Wilkinson visitou novos locais de admirável alvenaria e de mistério e cicatrizes marcantes, juntando-lhe, desta vez, memórias locais resgatadas a fotografias ou filmes antigos e até a lendas ou ficções. Duas primeiras amostras receberam, entretanto, tratamento de imagem em 16mm de conceito cinematográfico a cargo do próprio. Naturalmente... 


sexta-feira, 8 de novembro de 2024

MATT ELLIOTT, CANÇÕES VINTAGE PARA BEBER!

A visita de Matt Elliott de Fevereiro passado, ao contrário do que por aqui adivinhamos, aconteceu em formato trio e serviu para recriar ao vivo o mítico álbum "Drinking Songs" de 2004. A comemoração teve a ajuda de Anne-Elisabeth de Cologne no contrabaixo e Barbara Dang no piano e teclas, habituais parceiras de palco e que, ao lado de Elliott e da sua guitarra e saxofone, moldam uma abordagem grandiloquente de uma sonoridade única. 

As sete recreações dos originais de há vinte anos estão agora oficialmente incluídas numa reedição, de caixa robusta, chamada "Drinking Songs Live 20 years on", mas a novidade tem publicação separada a partir do dia de hoje. A gravação foi realizada na sala L'Autre Canal de Nancy, cidade francesa onde Elliott vive há já muitos anos.   



quinta-feira, 7 de novembro de 2024

BADBADNOTGOOD E TIM BERNARDES, UAU!

O recente e excelente "Mid Spiral" dos BADBADNOTGOOD já dava sinais mais que óbvios de uma rendição da banda aos sons sul-americanos ou tropicais - há por lá temas de título "Taco Taco", "Audacia" ou "Sétima Regra" - mas agora o fascínio assume sinais de evidência. 

Deu-se hoje a conhecer o tema "Poeira Cósmica" composto a meias pelos canadianos e Arthur Verocai e que tem na voz principal Tim Bernardes, ele próprio também creditado como autor da canção. Os arranjos das cordas pertencem a Verocai e a peça foi gravada parcialmente no estúdio Cia. dos Técnicos do Rio de Janeiro e ainda na aparelhagem instalada em casa do próprio Tim Bernardes. 

Os BADBADNOTGOOD conheceram Bernardes no primeiro concerto brasileiro em 2019, tendo sido dele a primeira parte o espectáculo. Tornaram-se a encontrar em Setembro aquando de uma série de quatro noites no Blue Note Jazz Club de Nova Iorque onde o tema foi apresentado em estreia com a presença e colaboração de Bernardes na guitarra e voz. O momento foi aproveitado para outras surpresas como a apresentação de uma versão de "Tudo o Que Você Podia Ser" de Milton Nascimento que se dá a ouvir ali abaixo. 

Os BADBADNOTGOOD tocam no próximO Domingo num festival em São Paulo, iniciando desta forma uma exclusiva digressão pela América do Sul e Austrália.


quarta-feira, 6 de novembro de 2024

BETH GIBBONS, BIBLIOTECA DE PRINCESA!

Enquanto aguardamos uma qualquer milagrosa confirmação de um concerto por perto da princesa Beth Gibbons (esqueçam o Primavera Sound Porto), surgiu ontem a divulgação, via Canal Arte, de uma deslumbrante gravação ao vivo realizada em Julho passado na sala oval da Biblioteca Nacional de França, bem no centro de Paris. 

Enquadrado na notável série "Passengers" que aposta em levar artistas e bandas a locais inusitados (Fever Ray, Metronomy, Jungle ou L´Imperatrice já aderiram), o alinhamento contempla a quase totalidade dos temas do excelente disco "Lives Outgrown", um dos melhores do ano, a que foi acrecentado "Mysteries", original de 2002 ao lado de Rustin Mann (Paul Webb) incluído em "Out of Season". 

Luminosos e inesperados, estes são quarenta e cinco minutos imperdíveis de majestosa delicadeza que se espera possam vir a ser ampliados e sentidos, a três dimensões, no próximo ano...

BLITZ, 40 ANOS!





















Sobre O jornal "Blitz" e o seu efeito "bíblia" já por aqui discorremos há muito. Esta imagem de capa do primeiro número saído a 6 de Novembro de 1984 foi sacada assim, maravilhosamente queimada, no blog "O Velho Blitz" de que ainda se mantém o link ali ao lado, mas há hoje uma versão limpinha em oferta oficial.   

Se porventura esse papel sujo se tivesse mantido até os dias de hoje, não temos qualquer dúvida que a ida ao quiosque, também ela sagrada, se repetiria todas as semanas... Seja como for, parabéns BLITZ!


terça-feira, 5 de novembro de 2024

LUBOMYR MELNIK, Auditório de Espinho, 2 de Novembro de 2024

Nas palavras do próprio Lubomyr Melnik, passaram já cinquenta anos sobre a "invenção" da continuous music, um género único que se obtém rodando as diversas faces das teclas de um piano em efeitos melódicos ou sincopados e onde a repetição se evidencia vital e fecunda. Não há, por isso, muitas pautas para a aprender ou seguir, não restando também muitos a dedicar-lhe prática corrente e crescente. Melnyk, que já era uma preciosidade quando esgotou a Catedral de Viseu há nove anos atrás, tornou-se, por isso, nos dias de hoje, uma raridade a que não se deve olhar a meios na preservação e fortalecimento. 

Aos setenta e cinco e anos e em plena forma, o mestre escolheu um alinhamento de quatro longas peças que introduziu demoradamente e onde, pela agilidade e velocidade de execução, como que agitou uma penumbra sonora de que apetece não ver o fim e que se alonga, misteriosa, em intrépidas sequências circulares que só a pausa, que se sabe irá acontecer, consegue, por magia, suspender. 

Na defesa e promoção de tão invulgar receita melodiosa, Melnyk tem recorrido a parcerias com músicos do seu país natal, apostando na sua inclusão, mesmo que indirecta, em concertos, como foi o caso da composição "Antiphons 2", executada com o suporte pré-gravado de um quarteto de cordas ucraniano, variação, ainda assim, de diferente efeito e absorvência. 

Para a despedida e aproveitando o embalo, estava programada "The Sacred Thousand", peça de recente decalque em disco como homenagem aos soldados ucranianos que resistiram ao exército russo em Mariupol, uma guerra que Melnyk condenou e culpou, justamente, pela tirania, ultraje e horror praticados pela potência invasora. Pena que, alguns, do conforto da cadeira, não tenham sabido respeitar esse sofrimento, interpelando, a despropósito, o músico quanto à dispensa da política em favor da audição musical, como se, no caso, elas fossem separáveis e alienáveis. Sentido, Melnyk fez notar, na resposta, a grandeza eterna da arte como forma de luta, recebendo forte aplauso e vivas de uma plateia incomodada e empertigada, mas que, em silencio venerado, como que lhe foi pedindo desculpa ao longo dos vinte e cinco minutos da rendição, agora, ainda mais urgente.           

Também por isso, o serão em Espinho foi, pois, mais uma dessas sessões inesquecíveis em que uma imparável e vibrante tensão nos esganou nos movimentos e na respiração, um género de castigo deleitante que só a música e este som, seja lá o que isso for, impõem sem contemplações. E, sim, a música, esta música, será sempre uma arma...    

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

DUETOS IMPROVÁVEIS #297

PAUL WELLER & KATHRYN WILLIAMS 
So Quietly (Weller) 
EP "Suplemment: 66", Polydor Records
Inglaterra, Outubro de 2024

QUINCY JONES (1933-2024)















Para quem teve nos anos oitenta do século passado o período onde nenhum estilo de música era desprezado, o nome de Quincy Jones é de natural reconhecimento - foi ele que produziu, consecutivamente, três álbuns de Michael Jackson ("Off the Wall" de 1979, "Thriller" de 1982 e "Bad" de 1987") e muitos dos hits planetários daí retirados. É também dele a produção de um late Frank Sinatra de que "LA. Is My Lady" é só uma variação notada a roçar a perfeição. 

Mas Jones tinha ainda outros predicados e é também fácil reconhecer no seu próprio hit "Ai no Corrida", que afinal era uma versão melhorada de tema do inglês Chaz Jankel, um efeito agitador que ainda hoje não derrapa na idade. Quincy Jones morreu ontem na sua casa de Bel Air, California. Peace!


sexta-feira, 1 de novembro de 2024

KOKOROKO, MENSAGEM RECEBIDA!



















O magistral colectivo londrino Kokoroko, que tem por hábito agitar e incendiar plateias dançantes, lança no dia de hoje um novo EP com quatro temas de onda afrobeat e jazz que se recomenda sem limites. Chama-se "Get the Message" e pretende, simplesmente, festejar a alegria e a felicidade em fazer e ouvir boa música. Motivo, por isso, para uma nova, intensa e muito esgotada digressão europeia ao longo de todo o mês. 

A peça mais antiga é "Three Piece Suit", que ainda em bruto tinha o mesmo título do EP, e é um tributo aos emigrantes nigerianos chegados nos anos sessenta a Londres e de que são herdeiros Onome Edgeworth, percussionista da banda e Azekel, artista convidado a dar voz ao tema e que já participou em discos dos Massive Attack ou Gorillaz.  

Mensagem recebida!


DAMIEN JURADO, AO VIVO NA CATEDRAL!





















As notícias referentes a Damien Jurado contemplam, quase sempre, discos inéditos. Esta não foge à regra. Trata-se de um registo ao vivo efectuado em Agosto passado na St. Mark's Cathedral de Seattle e conta com uma edição de vinil rapidamente esgotada, apesar do lançamento só estar agendado para 12 de Novembro! O alinhamento das doze canções mistura clássicos antigos e novos temas, alguns deles, dos álbuns que editou de forma consecutiva e estranha há um ano atrás

O novo disco foi produzido e tocado pelo próprio com a ajuda de Lacey Brown, artista que tem sido parte da banda que o acompanha e com quem realizou um dueto de "Cloudy Shoes", tema antigo e, precisamente, o único disponível para audição. 

Estranheza é, pois, o que agora envolve um músico em suposto retiro curativo quanto à assumida doença mental, mas que projecta para os fãs o que se irá seguir - logo em Janeiro, concertos ao vivo onde tocará, de fia pavio, discos seus sem ordem ou razão; mais algumas, muitas, edições de discos; "residencies", naquilo que considera ser o seu futuro sem viagens ou hotéis e gozando o conforto da "sua" cama. Tudo isto foi anunciado na rebuscada plataforma Substack em papel batido numa máquina de escrever!